Claudia Cruz confirma uso de cartão internacional, mas alega que não sabia da conta na Suíça

Andreza Rossini


A jornalista Claudia Cruz, esposa do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB), optou por não responder as perguntas do juiz federal Sérgio Moro, em depoimento na tarde desta quarta-feira (16), na sede da Justiça Federal, em Curitiba. Ela respondeu apenas as perguntas feitas pelo advogado de defesa.

Claudia confirmou que usava um cartão de crédito internacional entre 2008 e 2015, mas alegou que só soube que era vinculado a uma conta no exterior, não declarada à justiça, quando as investigações da operação Lava Jato vieram a tona. A jornalista ressaltou que durante todo o período confiou em Eduardo Cunha e não conferiu a origem dos valores. Ela disse ainda que os valores bancavam os estudos dos filhos no exterior.

Veja o depoimento na íntegra: 

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Visita a Cunha

Após prestar depoimento, Claudia Cruz visitou o marido Eduardo Cunha, preso na superintendência da Polícia Federal, desde 19 de outubro.

Dinheiro Público teria bancado restaurantes badalados e roupas de grife

Claudia Cruz é apontada pelo MPF (Ministério Público Federal) por ser beneficiária das contas atribuídas a Cunha na Suíça. Os procuradores apontam que Cruz tinha consciência dos crimes que praticava e controlava uma conta para pagar despesas variadas no exterior, incluindo gastos em restaurantes badalados e com objetos de grife. A jornalista responde pelos crimes por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Além dela, o empresário português Idalécio de Castro Rodrigues – outro réu no processo – também será interrogado hoje pelo juiz federal Sérgio Moro.

Idalécio é acusado de pagar 1,5 milhão de dólares em propina a Cunha para ser beneficiado em um contrato de aquisição dos direitos de participação na exploração de um campo de petróleo no Benin, na África. A defesa do empresário nega.

Cunha responde a outro processo paralelo a Moro por não ter declarado contas no exterior.

Processo

Na semana passada os outros dois acusados do processo prestaram depoimento. O ex-diretor da Petrobras, Jorge Luiz Zelada, preferiu ficar em silêncio.

O engenheiro João Augusto Rezende Henriques, apontado como operador de propinas do PMDB, foi interrogado no dia 09 de novembro.

O réu afirmou ao juiz Sérgio Moro que não lembra quem eram os beneficiários das operações financeiras dele. Henriques afirmou também que as transações são antigas, do ano de 2011, e por isso não lembra outros detalhes.

Segundo ele, as transferências foram para colaboradores do grupo que o ajudou a explorar a região no Benin, como técnicos e geólogos. Henriques foi o responsável por “descobrir” a região e indicar a valorização do terreno à Idalécio, que vendeu à Petrobras, que por sua vez revendeu à Shell.

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