Condenado a 41 anos, Dirceu vira réu na Lava Jato pela terceira vez

Andreza Rossini


O ex-ministro José Dirceu, que já tem duas condenações na Operação Lava Jato,  virou réu em nova ação penal da força-tarefa. O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações em primeira instância da operação, aceitou a terceira denúncia contra ele e suspendeu a tramitação do processo por um ano.

De acordo com Moro, o caso foi “arquivado” porque todos os réus já estão condenados. “Não vislumbro com facilidade interesse do MPF no prosseguimento de mais uma ação penal contra as mesmas pessoas, a fim de obter mais uma condenação. O que é necessário é a efetivação das condenações já exaradas e não novas condenações”, argumenta.

A denúncia envolve 33 crimes de lavagem de dinheiro cometidos entre abril de 2011 e outubro de 2014. Segundo o MPF, a propina paga para fraude em licitação teria sido de R$ 2,4 milhões. Os pagamentos teriam sido feitos pelas empreiteiras Engevix e UTC, em contratos com a Petrobras.

Também são denunciados Luiz Eduardo de Oliveira, irmão de Dirceu, João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, Gerson de Melo Almada, ex-executivo da Engevix e Valmir Pinheiro Santana, ex-executivo da UTC. Todos já foram condenados na operação.

O juiz não acatou a denúncia contra João Vaccari. “Assim, quanto a João Vaccari Neto rejeito a denúncia por falta de justa causa sem prejuízo de retomada se apresentadas novas provas”, alegou Moro. O TRF4 inocentou Vaccari em um processo semelhante por considerar as provas insuficientes.

As acusações foram apresentadas no mesmo dia em que o STF julgou um pedido de habeas corpus impetrado pelo advogado do ex-ministro da Casa Civil, Roberto Podval. O STF concedeu o habeas corpus.  

Prisão de Dirceu na Lava Jato

Dirceu foi preso em agosto de 2015 no Complexo Médico-Penal em Pinhais, região metropolitana de Curitiba. Em maio de 2016, José Dirceu foi condenado a 23 anos de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) aumentou a pena para 30 anos e 9 meses.

Ele foi acusado de receber mais de R$ 48 milhões por meio de serviços de consultoria, valores que seriam oriundos de propina proveniente do esquema na Petrobras, de acordo com os procuradores da Lava Jato.

A segunda condenação de Dirceu na força-tarefa é de março de 2017, com pena de 11 anos e três meses de reclusão pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O TRF4 ainda não julgou esta ação.

Em maio de 2017, Dirceu deixou a prisão com tornozeleira eletrônica.

 

 

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