Condenado por Moro, ex-tesoureiro do PP João Claudio Genu recorre à segunda instância

Fernando Garcel


A defesa do ex-tesoureiro do Partido Progressista (PP) João Claudio Genu recorreu ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) nesta sexta-feira (9) da sentença de oito anos e oito meses de prisão sentenciada pelo juiz federal Sérgio Moro no âmbito da Operação Lava Jato. Ele foi condenado pelo crime de corrupção. A sentença foi proferida por Moro na última sexta-feira (2).

Genu está preso em Curitiba desde maio deste ano, quando foi realizada a 29ª fase da operação Lava Jato. Ele é acusado de ter recebido mais de R$ 6 milhões em propina. O ex-tesoureiro, que era braço-direito de José Janene, morto em 2010, também foi apontado como um dos articuladores do esquema de corrupção da Petrobras, com recebimentos mensais que variavam de R$ 40 a 70 mil.

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“Requer o seu recebimento nos regulares efeitos de direito e imediata remessa para Superior Instância, conforme previsão legal do art. 600, § 4° do Código de Processo Penal, para que perante o Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região apresente razões recursais”, diz a apelação.

> Leia a apelação na íntegra

Prisão de Genu

Genu está preso em Curitiba desde maio deste ano, quando foi realizada a 29ª fase da operação Lava Jato. Ele é acusado de ter recebido mais de R$ 6 milhões em propina. O ex-tesoureiro, que era braço-direito de José Janene, morto em 2010, também foi apontado como um dos articuladores do esquema de corrupção da Petrobras, com recebimentos mensais que variavam de R$ 40 a 70 mil.

O dinheiro era parte da propina destinada ao Partido Progressista, o que chamou atenção dos investigadores, já que Genu não era um parlamentar – mas mesmo assim, exercia grande influência dentro do partido. Ele também foi denunciado no Mensalão, acusado de sacar cerca de um milhão e cem mil reais de propina em espécie das contas de uma empresa do publicitário Marcos Valério.

Genu foi condenado, mas houve prescrição quanto à corrupção e, no caso da lavagem de dinheiro, acabou absolvido. Segundo o Ministério Público, Genu continuou recebendo repasses mensais de propina até, pelo menos, 2013, mesmo durante o julgamento do Mensalão e após ter sido condenado.

Em setembro, os advogados entraram com um pedido de habeas corpus no TRF4 que foi negado pela 8ª Turma do tribunal. Segundo o desembargador federal João Pedro Gebran Neto, a situação de Genu se assemelha a outros réus que seguiram cometendo ilícitos mesmo após o início da Operação Lava Jato. “Impossível supor a possibilidade de desagregação do grupo criminoso sem a segregação cautelar dos envolvidos com maior destaque, dentre os quais, João Cláudio Genu”, afirmou o desembargador.

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