Coordenador da Lava Jato não descarta cancelamento de mais acordos de delação

Mariana Ohde

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O coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Ministério Público Federal (MPF), Deltan Dallagnol, não descarta a possibilidade de que outros acordos de delação sejam quebrados – nesta semana, o lobista Fernando Moura foi preso por mentir em depoimento à Justiça e foi o primeiro delator da operação a ter a colaboração cancelada. A decisão do Juiz Sérgio Moro de quebrar o acordo de delação do lobista foi tomada após investigações comprovarem que Fernando Moura forneceu informações falsas em depoimentos que aconteceram em janeiro. Com o cancelamento, além de ser preso preventivamente, ele perderá todos os benefícios obtidos com o acordo.

E a primeira colaboração anulada em mais de dois anos de Lava Jato pode não ter sido a última. Desde fevereiro, a justiça investiga a veracidade da delação de outros dois colaboradores: Roberto Trombeta e Rodrigo Morales, que eram operadores do esquema de corrupção e ligados a empreiteiras que tinham contrato com a Petrobras.

Deltan Dallagnol afirma que, se outros casos semelhantes forem identificados, outros acordos podem ser quebrados. “Nos demais casos em que identificarmos, comprovadamente, que houve mentira, e que nós descobrirmos e comprovarmos isso sem que a pessoa tenha vindo antes reconhecer a sua falha, nós procederemos do mesmo modo, pediremos a quebra do acordo”, afirma.

Anular um acordo de delação não é simples. As investigações têm que, por exemplo, comprovar que o colaborador teve a intenção de mentir e que não mentiu por engano. “É preciso mostrar que o depoimento é diferente daquilo que aconteceu na realidade e mais: que ele, conscientemente, está falseando o depoimento. Que ele tem consciência que existe essa divergência entre o que ele falou e o que aconteceu na realidade. Que não foi engano, equívoco. Nem sempre isso é fácil”, explica. O procurador reforça argumentos utilizados na decisão do Juiz Sérgio Moro em relação a Fernando Moura, de que a mentira de um delator pode levar a prisão de inocentes. “Quando ele falta com a verdade, ele coloca em risco, nas palavras bem colocadas pelo juiz, tanto a integridade da Justiça como a própria segurança de terceiros, porque pessoas podem vir a ser condenadas indevidamente”, afirma.

Nesta quarta-feira (18), Fernando de Moura foi condenado a 16 anos de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Na mesma sentença, o juiz Sérgio Moro confirmou a quebra da colaboração premiada e ainda decretou a prisão preventiva do lobista.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal