Procuradores da força-tarefa da Lava Jato criticam reforma política

Andreza Rossini


Repórter Fábio Buchmann da CBN Curitiba

O texto da reforma política altera o sistema eleitoral e cria um fundo abastecido com recursos públicos para financiar campanhas. A proposta seguirá agora para análise, em dois turnos, no plenário da Câmara dos Deputados.

No novo sistema, só seriam eleitos os candidatos mais votados, acabando com as coligações e legendas. Não seria mais possível votar em um partido, por exemplo.

Os partidos contrários dizem entender que a medida vai encarecer as campanhas individuais e somente os candidatos mais conhecidos conseguirão se eleger, dificultando o surgimento de novos nomes na política.

Já partidos que defendem a proposta dizem que o modelo acabará com os chamados “puxadores de votos”, candidatos com votação expressiva que ampliam o quociente eleitoral do partido ou coligação. Atualmente esta prática tem garantido vagas para candidatos com uma votação baixa.

Com recursos públicos previstos no orçamento, o projeto cria o chamado Fundo Especial de Financiamento da Democracia. O valor corresponde meio por cento da Receita Corrente Líquida do governo no período de um ano, e deve atingir aproximadamente R$ 3,6 bilhões no ano que vem.

Para o procurador Carlos Fernando Dos Santos Lima, o texto da reforma tem como objetivo maior tornar as campanhas mais caras para reforçar o caixa dos partidos.

“A Câmara dos Deputados pretende votar uma falsa reforma política. Não podemos permitir isso. Eles pretendem tirar dinheiro do seu bolso – 3,6 bilhões – para colocar no saco sem fundo dos partidos políticos. Eles não pretendem campanhas mais baratas, eles querem o distritão, onde velhos caciques vão se eleger e se reeleger novamente”, afirmou.

Já Deltan Dallagnol falou que os políticos estão criando artimanhas para se agarrarem aos respectivos cargos, já que grande parte é investigada e pode perder foro.

“Para fazer com que eles que tem relacionamento com os prefeitos, que controlam a máquina pública, tem as chances de se eleger aumentadas. Um terço dos parlamentares são objetos de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), para muitos deles perder o mandato significa perder o foro privilegiado e com isso ter um grande risco de ir para a cadeia”, disse.

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