Cunha, Aécio e Paulo Bernardo são implicados em mensagens

Redação


Rafael Neves, do Metro Jornal Curitiba

Mensagens de WhatsApp apreendidas com Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, levantaram suspeitas da PF (Polícia Federal) em relatórios que citam, entre outros, o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-ministro petista Paulo Bernardo.

Azevedo e outros executivos da Andrade fizeram delação premiada, que ainda está em sigilo. Em um dos textos apreendidos, Cunha confirma a Azevedo que “acertou pontos” da MP 627 — que tratava de taxação de lucros de empresas brasileiras fora do país — a pedido da construtora Odebrecht.

Aprovada com vetos pela presidente Dilma em 2014, a MP 627 é alvo de investigação da operação Zelotes, que apura propinas a políticos em troca da aprovação. Em outra mensagem, Cunha passa a Azevedo números de uma conta bancária, indicando depósito para a campanha do ex-ministro do Turismo, Henrique Alves (PMDB), ao governo do Rio Grande do Norte.

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Em nota, Cunha afirma que “com relação à MP 627, várias matérias foram discutidas, não só com os setores, como também com o governo, através de troca de e-mail. Quanto a passar dados de contas de Henrique Alves, não há nada além de uma solicitação transparente de doação legal”. O ex-ministro Henrique Alves não foi encontrado.

Aécio
No caso do senador tucano, as mensagens são trocadas entre Azevedo e Oswaldo Borges, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais e ligado a Aécio.

Na conversa, em 27 de agosto de 2014 — durante as eleições presidenciais — Borges aparenta pedir a confirmação de um pagamento. Otávio responde “já foi feito”, e Borges replica: “Obrigado Otavio. Com vc funcionaffirsrs”. A assessoria do tucano afirmou que “as mensagens são autoexplicativas e trazem um conteúdo absolutamente correto”, e que a doação citada nesta data foi legal e está registrada na Justiça Eleitoral.

Paulo Bernardo
As mensagens entre Bernardo e Azevedo foram trocadas em 30 de agosto e 3 de setembro de 2014, também durante as eleições. O ex-ministro petista pede a confirmação de “uma conversa” para o dia 2, e no dia seguinte Azevedo escreve: “Confira pois caiu agora!!!!”, o que sugere um depósito. A defesa de Bernardo diz que “não há nem nunca houve nada de errado ou ilícito no teor dessas conversas”.

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