Cunha organizou reuniões entre Temer e empreiteira da Lava Jato

Mariana Ohde


O deputado e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) organizou, pelo menos, três reuniões entre o presidente interino Michel Temer – que na época era vice-presidente – e o então presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Azevedo. Os encontros teriam acontecido entre 2012 e 2014 e não foram registrados na agenda oficial do vice. As informações constam no relatório sobre a perícia realizada pela Polícia Federal (PF) em um celular do executivo e foram incluídas em inquérito público da Operação Lava Jato.

Segundo o jornal O Globo, a assessoria do presidente interino, Michel Temer, confirmou um dos encontros, em 2014, e disse haver “razões técnicas” para a reunião não constar na agenda oficial. A reunião aconteceu no gabinete da Vice-Presidência, no Palácio do Planalto. As mensagens não deixam claro que assuntos foram tratados, mas a assessoria de Temer afirma que Azevedo informou, no encontro, que faria uma doação eleitoral ao PMDB – em 2014, a Andrade Gutierrez doou R$ 11,4 milhões ao partido.

Em 30 de julho de 2014, Eduardo Cunha teria começado a marcar um encontro com Otávio Azevedo pelo celular, que envolveria Michel Temer. “Que horas no ichel?”, perguntou Azevedo. “Michel eu vou às 12 e fico até 14h30”, replicou Cunha. O executivo finalizou: “Chego às 14h, ok?”.

Em 4 de abril de 2012, Cunha tentou intermediar outra reunião com Temer em São Paulo. Às 15h49m, Cunha escreveu a Azevedo: “O michel cansou de te esperar e foi embora. fiquei só eu”. O executivo respondeu: “Você é que me interessa. O Michel é um grande líder e eu não poderia incomodá-lo. Mas na verdade não sabia que ele estaria aguardando com você. Estou chegando mas tem alguma merda acontecendo na cidade. abs”. Cunha deu risadas: “Rsrsrsrs abs”.

Quatro meses depois, um novo encontro na residência oficial de Temer. Em 7 de agosto de 2012, Cunha escreveu para Azevedo: “Tá confirmado 20h30 Jaburu”.

As mensagens mostram, segundo O Globo, a intimidade entre Cunha e Azevedo. Entre 2011 e 2014, eles teriam, inclusive, falado sobre mudanças em textos legislativos e pagamentos em contas do PMDB e da Andrade Guitierrez. Os dois usavam o WhatsApp e outros aplicativos que destroem as mensagens.

Sobre os encontros, Cunha afirmou: “Não me recordo desses diálogos, não me recordo se teve esse encontro, logo não posso também me lembrar dos motivos das risadas, se é que existiram”. A assessoria de Temer informou que ele e Azevedo tinham “relacionamento institucional e não precisavam de intermediários para marcar encontros”.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal