Medidas “pró-corrupção” avançam na Câmara, alerta procurador

Andreza Rossini


O procurador-geral da República Deltan Dallagnol afirmou em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (6) que a redução de apoio popular para a Operação Lava Jato deve enfraquecer as investigações. Segundo Dallagnol está em discussão alterações Medida Provisória (MP) 703/2015, com o objetivo de enfraquecer a força-tarefa. “É um ataque direto a Operação Lava Jato, vamos continuar investigando todos os crimes e resistindo a todos os ataques”, disse.

Pacote pró-corrupção chega ao Congresso, alerta procurador da Lava Jato

Entre os pontos preocupantes citados pelo procurador está o impedimento no compartilhamento de informações, o desestimulo de entrega de novos fatos e novas provas, um acordo com a advocacia pública que impediria a ação do Ministério Público, a retirada da exigência de admissão do ilícito e a retirada do cartel do âmbito de crimes puníveis com prisão.

“Em várias dimensões esse parecer é uma aberração e um atentado às investigações do Ministério Público”, afirmou. O procurador reafirmou que a troca de um governo não é uma medida contra a corrupção, e defendeu a reforma política. “Nosso escudo contra os ataques é a sociedade. Acreditamos que enquanto a sociedade estiver ao nosso lado não vamos sofrer com esses ataques. A partir do momento que o apoio popular diminuir e começarem as críticas de abuso teremos o que temer”, ressaltou.

Veja o vídeo: 

O Ministério Público Federal apresentou novas denúncias envolvendo corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato contra o ex-senador Gim Argello e Ronan Maria Pinto.

Saiba todos os detalhes das novas denúncias. 

Um projeto do MPF apresenta proposta de dez medidas contra a corrupção. Entre as propostas estão, por exemplo, a criminalização do enriquecimento ilícito, o aumento das penas, tornar a corrupção de altos valores um crime hediondo, além da responsabilização dos partidos políticos e a criminalização do caixa 2.

A campanha foi criada pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, mas logo foi abraçada pelo Ministério Público Federal em todo o país. A coleta de assinaturas começou em julho do ano passado. O objetivo era atingir a marca de um milhão e meio de apoiadores, para poder apresentar as propostas em forma de projeto de iniciativa popular. A meta foi atingida no final de fevereiro.

Em oito meses, mais de 1.016 instituições – entre igrejas, universidades, associações, comércios, empresas e ONGs – declararam apoio formal à ideia e mobilizaram voluntários em todo o país em prol da campanha.

Previous ArticleNext Article