De cabeça baixa e sob forte escolta policial, Fernando Moura passa por exame no IML

Jordana Martinez


O empresário Fernando Moura, que teve o acordo de delação premiada suspenso na operação Lava Jato por ter violado o acordo de delação, acusado mentir durante um depoimento à Justiça, no final de janeiro, passou por novos exames no IML de Curitiba nesta sexta-feira (20).

Desta vez passou pelos repórteres de cabeça baixa, boné e aparentemente abatido. Na primeira vez em que foi preso, em agosto do ano passado, manteve a cabeça erguida e o peito aberto. A forte escolta policial também chamou a atenção. Cerca de 15 policiais participaram da ação, um número maior do que a equipe de oito ou dez homens que tradicionalmente fazem a segurança de detidos da Lava Jato. De acordo com os policiais, alguns dos homens são novos na equipe e estão recebendo treinamento para reforçar o esquema de segurança.

Acordo quebrado

O lobista, que havia sido solto em novembro do ano passado por causa do acordo de colaboração, voltou a ser preso pela Polícia Federal nesta quarta-feira.  O juiz Sérgio Moro atendeu a um pedido do Ministério Público Federal que afirma que o lobista violou a delação ao mentir durante um depoimento à Justiça.

Em uma primeira audiência com o Ministério Público Federal, Moura disse que recebeu uma dica do ex-ministro José Dirceu para deixar o país durante o escândalo do mensalão. Mas ao ser interrogado por Sérgio Moro, o lobista negou que tenha recebido essa informação. Logo depois, em outra audiência com o Juiz, Moura reconheceu que mentiu, pediu desculpas e explicou que mudou a versão porque sofreu ameaças.

O advogado Vitor Cavalcanti, que representa o lobista Fernando de Moura, disse que vai entrar com uma apelação questionando o conteúdo da sentença do Juiz Sérgio Moro e pretende restabelecer a delação premiada.

“Num primeiro momento, existiu uma proposta de acordo, mas, quando houve a audiência, houve uma ameaça, real, que fez com que ele no dia seguinte à audiência, alterasse em parte o depoimento dele. Ele não negou nada, tanto que, depois em audiência justificativa, ele restabeleceu tudo o que ele falou. Então, não teve grandes danos para se desconsiderar a delação dele”, argumentou.

Para o advogado, a alteração do depoimento em juízo não afeta o que já havia sido esclarecido ao Ministério Público Federal durante depoimento de acordo de colaboração.

“Não existiram prejuízos efetivos. Inclusive, o depoimento dele serviu para encontrar elementos de crimes e identificar outras pessoas. Então, tem valor a delação dele. E desde 2015 ela colabora efetivamente da investigação, que usou sim a delação dele para encontrar a verdade dos fatos, ele faz sim jus ao benefício da delação premiada”.

De acordo com a denúncia, o lobista teria recebido pelo menos 5 milhões de reais do esquema de corrupção envolvendo a Petrobras. O valor, segundo o acordo de delação, já deveria ter sido devolvido pelo investigado. No entanto, até hoje o montante não foi restituído.

O advogado explica que a quantia está depositada em uma conta nos Estados Unidos e que para ser transferido para o Brasil é necessário um procedimento especifico. “O valor está disponível, o que está demorando é a internalização deste valor, por questões burocráticas”, disse.

Em dois anos de Lava Jato, esta é a primeira vez que um acordo de delação premiada foi desobedecido. O empresário foi condenado a 16 anos e 2 meses de prisão em ação penal referente a 17ª fase da operação Lava Jato.

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.