‘Dedo-duro’, Marcelo Odebrecht completa dois anos de cadeia

Redação


Lenise Aubrift Klenk, com Narley Resende, BandNews FM Curitiba

Entre os empresários alvos da Operação Lava Jato, Marcelo Odebrecht é o delator que absorve as penas mais severas. Daqui a seis meses, pelo acordo de colaboração, ele deve passar para o regime domiciliar, mas ainda fechado. Condenado em um processo a 19 anos e quatro meses de prisão, o empresário vai cumprir um total de 10 anos. Hoje, ele completa dois anos preso. (Veja “Um ano da prisão de Marcelo Odebrecht“)

O empresário, executivos da empreiteira que ele comandava e da construtora Andrade Gutierrez foram presos na chamada “Operação Erga Omnes”, que em latim significa “aquilo que vale para todos”.

Marcelo ainda responde a mais três ações penais no âmbito da Lava Jato em Curitiba. Um dos investigados mais resistentes à possibilidade de confessar os crimes que cometeu e a colaborar com as investigações, Marcelo Odebrecht chegou a classificar a delação como uma atitude imoral.

Em depoimento à CPI da Petrobras, em Curitiba, em 1º de setembro de 2015, o empresário disse que não tinha o que “dedurar”. “Quando lá em casa as minhas meninas tinham uma discussão e uma briga, eu dizia ‘quem fez isso?’. Eu talvez brigasse mais com quem dedurou do que com quem fez o fato. Primeiro, para alguém dedurar, ele tem que ter o que dedurar. Isso acho que não ocorre aqui”, declarou o empresário.

Quase um ano e cinco meses depois, em 30 de janeiro deste ano, a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, homologava 77 delações da Odebrecht. Entre elas, a de Marcelo Odebrecht. Em maio, o STF divulgou os vídeos de todos os depoimentos dos executivos. Em um deles, Marcelo Odebrecht admite que a empresa contribuiu com doações de campanhas eleitorais por caixa dois.

“Eu não conheço nenhum político no Brasil que tenha conseguido fazer uma eleição sem caixa 2. O cara pode dizer que não sabia, mas recebeu dinheiro do partido que é caixa 2. É um ciclo vicioso que se criou. O político que disser que não recebeu caixa 2 está mentindo”, declarou na delação.

Veja íntegra do depoimento de Marcelo Odebrecht como delator
> Por delação, Marcelo Odebrecht abre mão de defesa

As confissões renderam uma redução significativa na pena de Marcelo Odebrecht, que poderia ser condenado ao tempo máximo de prisão previsto em lei, que é de 30 anos. Ainda assim, será o empresário do cartel de empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras com o maior tempo de cadeia e medidas cautelares.

Atualmente, Marcelo Odebrecht está detido na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. No regime fechado, ele vai ficar cinco anos – metade na prisão e metade em casa. Depois, deve cumprir mais dois anos e meio em regime semiaberto. Finalmente, mais dois anos e meio em regime aberto.

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