Defesa aponta que delegado é suspeito para investigar filho de Lula

Fernando Garcel


Um laudo da Polícia Federal (PF), com informações da Receita Federal, aponta que a variação dos patrimônios em nome de Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é “formalmente incompatível com as sobras financeiras correspondentes nos anos de 2011 e 2013”.

De acordo com o delegado Marcio Adriano Anselmo, que assina o documento, a evolução patrimonial atinge valores superiores RS 200 mil, em 2013. O documento foi anexado ao inquérito que investiga o sítio em Atibaia (SP), que supostamente é do ex-presidente.

> Confira o laudo na íntegra

O laudo também aponta movimentação de R$ 246 mil em recursos da empresa LILS Palestras, que pertence a Lula, e R$ 200 mil de Marisa Letícia, esposa do ex-presidente. “Observe-se que dos cerca de R$ 1,43 milhão de rendimentos brutos do investigado no período de 2011 2014, aproximadamente R$ 246 mil foram oriundos da empresa LILS Palestras, R$ 780 mil da LFT Marketing, R$ 100 mil de pessoas físicas R$200 mil da Srª Marisa Letícia”, diz o documento.

Em nota, os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, que defendem a família do ex-presidente nos processos ligados a Lava Jato, afirmam que o laudo não aponta prática de qualquer ilícito de Luís Cláudio Lula da Silva. A defesa também aponta suspeitas sobre o delegado Marcio Adriano Anselmo, que teria um histórico de ofensas contra Lula nas redes sociais.

De acordo com a defesa, Luis Cláudio pagou despesas relativas à sua empresa que foram por ela reembolsadas e que não “há qualquer irregularidade do ponto de vista fiscal e muito menos penal”.

Confira a nota na íntegra: 

“Na condição de advogados de Luis Claudio Lula da Silva esclarecemos que o laudo pericial elaborado pela Polícia Federal (Laudo nº 1.797/2016 – SETEC/SR/PF/PR) que foi vazado à imprensa nesta data (21/10/2016) não aponta a prática de qualquer ilícito em relação ao nosso cliente.

A afirmação de que a variação patrimonial de f do período de 2011 a 2013 seria “formalmente incompatível”com as “sobras financeiras” deve-se ao fato de que Luis Cláudio pagou despesas relativas à sua empresa que foram por ela reembolsadas. O próprio laudo registra “transferências bancárias da LFT Marketing” em favor de Luis Claudio e, ainda, que “Em razão da ausência da documentação fiscal da empresa LFT Marketing não foi possível efetuar o cruzamento de informações”. Não há qualquer irregularidade do ponto de vista fiscal e muito menos penal.

A absurda divulgação de dados bancários e financeiros de Luis Claudio, cujo sigilo é assegurado pela Constituição Federal, ocorre no âmbito de inquérito policial presidido pelo Delegado Federal Marcio Adriano Anselmo, que possui um histórico de ofensas ao ex-Presidente Lula, pai de Luis Claudio, nas redes sociais (http://politica.estadao.com.b r/noticias/geral,delegados-da-lava-jato-exaltam-aecio-e-atacam-pt-na-rede,1591953). Tal situação deveria motivar que o agente público se declarasse suspeito para conduzir o caso, nos termos do art. 107, do Código de Processo Penal.”

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