Defesa de Delfim Neto refuta irregularidades e recebimento de propina

Fernando Garcel


Os advogados de defesa do economista e ex-ministro da Fazenda da Ditadura Militar, Delfim Neto, refutam a hipótese de que houve qualquer irregularidade na prestação de serviços de consultoria do seu cliente.

Delfim é apontado como recebedor de R$ 240 mil em dinheiro entregues pelo “departamento de propina” da Odebrecht em 22 de outubro de 2014 no escritório do advogado e sobrinho do ex-ministro Luiz Appolonio Neto, em São Paulo, e foi intimado pala Polícia Federal (PF) em Curitiba para prestar esclarecimentos sobre assuntos ligados à Operação Lava Jato.

Por meio de nota, os advogados Ricardo Tosto e Maurício Silva Leite afirmam que “o economista Antônio Delfim Netto prestou serviços de consultoria na área econômica e recolheu todos os impostos em decorrência da prestação dos serviços”. O inquérito tramita em sigilo e não há data definida para o depoimento.

Lava Jato

Delfim também foi citado em delação do executivo Flávio Barra, da Andrade Gutierrez.  Ele disse que a empreiteira pagou propina de R$ 15 milhões a Delfim Netto, na fase final das negociações para a construção da usina de Belo Monte, em 2010. Teria sido uma “gratificação” por ele ter ajudado a montar consórcios que disputaram a obra, segundo Barra, que presidiu a AG Energia, braço da Andrade para esse mercado.

O montante teria chegado a Delfim por meio de contratos fictícios de empresas de um sobrinho dele, Luiz Appolonio Neto, com a Andrade Gutierrez, a segunda maior empreiteira do país, de acordo com Barra. Não teria havido, porém, prestação de serviços, segundo o executivo da AG, o que pode caracterizar corrupção. Os contratos fictícios foram entregues aos procuradores pelo executivo como prova de seu relato.

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