Defesa de João Santana confessa evasão de divisas, mas nega crime de corrupção

Roger Pereira


Em defesa prévia apresentada à Justiça Federal do Paraná em processo por corrupção e lavagem de dinheiro o publicitário João Santana pede anulação do processo por alegar inocência nos crimes a ele imputados mas admite que cometeu o crime de evasão de divisas, ao receber no exterior parte do pagamento por serviços prestados a campanhas eleitorais do PT. A peça, assinada pelos advogados Fábio Tofic Simantob, Débora Gonçalves Perez e Maria Jamile José, faz elogios à Operação Lava Jato, mas diz que, “mesmo uma operação tão bem-sucedida

e aplaudida em todo país, não está livre de cometer erros, excessos e injustiças”, o que alegam ter acontecido com seu cliente. Para eles, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal quiseram, sem sucesso, envolver Santana no escândalo da Petrobras pela importância que atribuíram ao publicitário na campanha de Dilma Rousseff. “O ‘marqueteiro do PT’, ‘o homem responsável pelas mentiras da campanha’, ‘o Goebles brasileiro’, ‘o maior responsável pela eleição da pior presidente da história’. O personagem era bom demais para encenar papel tão irrelevante na trama chamada Petrolão. Não dava para desperdiçar assim a figura central das campanhas petistas. Se o roteiro não o contemplava originalmente, era preciso alterar o roteiro”, sustentam os advogados, dizendo que, apesar das interceptações de diálogos de Santana com importantes políticos, não há provas de envolvimento dele com o petrolão na denúncia formulada pelo MPF.

“João Santana admitiu que recebeu valores fora do país (evasão de divisas), mas ainda era muito pouco para eletrizar a opinião pública. O roteiro precisou ser adaptado para abranger os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, que passaram a ser a chamada principal. Aí sim, a acusação causaria o frenesi desejado. Esta é a verdade nua e crua deste caso, Excelência”, escrevem.

Para a defesa, os fatos são simples: “o PT supostamente devia dinheiro aos publicitários, e solicitou que um doador da campanha quitasse a fatura. Retirando o entulho que polui a denúncia é basicamente o que sobra da romanceada tese acusatória”, dizem os advogados. “No entanto, tampouco os esforços sobre-humanos da denúncia foram capazes de explicar como que deste fato João passa de publicitário do partido a comparsa de agente público – que não é sequer mencionado – na cobrança de propina na Petrobras”, acrescentam.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal