Defesa de Lula diz que visita de Moro à Petrobras é inaceitável

Narley Resende


Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado em primeira instância a 9 anos de prisão na Operação Lava Jato, em Curitiba, afirmam que é inaceitável a participação do juiz federal Sérgio Moro em evento da Petrobras no Rio de Janeiro, que aconteceu nesta sexta-feira (8).

“Em nenhum lugar do mundo seria aceitável que o juiz da causa fosse visitar uma parte para dar conselhos jurídicos a ela. A Petrobras se habilitou como parte interessada nas ações penais que tramitam na Justiça de Curitiba. Algumas dessas ações estão pendentes de julgamento, inclusive envolvendo o ex-presidente Lula”, diz o advogado Cristiano Zanin Martins em nota.

De acordo com Zanin, a atitude do juiz compromete e isenção dele nos processos que investigam casos de corrupção na estatal. “O discurso feito hoje pelo juiz Sérgio Moro na sede da Petrobras por si só compromete a aparência de imparcialidade e pode motivar o reconhecimento da sua suspeição”, critica.

Sem sucesso, a defesa de Lula já tentou retirar os processos contra o ex-presidente das mãos do juiz Sérgio Moro em diversas ocasiões e instâncias do Judiciário. Moro é responsável por três ações penais em que Lula responde em Curitiba por envolver a Petrobras. Uma em que ele foi condenado, que envolve o triplex do Guarujá, outra que investiga o pagamento de um imóvel pela Odebrecht em São Bernardo do Campo, além de um apartamento vizinho ao do ex-presidente, e uma que investiga a propriedade de um sítio em Atibaia, no Interior de São Paulo.

Moro na Petrobras

O juiz Sergio Moro, responsável em primeira instância pelas ações penais da Lava Jato no Paraná, participou nesta sexta-feira (8) de evento na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, para um debate sobre corrupção e práticas de compliance.

Em discurso, o magistrado sugeriu uma série de medidas que, na visão dele, agregariam à gestão da estatal uma cultura de prevenção quanto a atos ilícitos. Uma das propostas seria a criação de um canal interno de denúncias com compensação financeira por informações que levassem a resultados relevantes.

“Talvez fosse o caso de se pensar em incentivos para a atuação do denunciante. Até se pensar em compensação financeira, por exemplo, desde que apresentada informação verdadeira e que, através dela, se desbarate um esquema de corrupção.” Moro sugeriu que a recompensa seja um “valor módico” e que “ninguém deve enriquecer com isso”. Disse entender que tal recurso seria “oportuno” para “tirar as pessoas da zona de conforto”.

Moro também foi questionado sobre as declarações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feroz crítico da Operação Lava Jato. A resposta foi a habitual: “Não debato publicamente com pessoas condenadas por crimes.”

 

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