Defesa de Lula pede acesso à delação de Pedro Corrêa

Narley Resende


Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediram nesta sexta-feira (27) ao juiz Sérgio Moro acesso ao termo de colaboração premiada do ex-deputado Pedro Corrêa (ex-PP), em que estaria o relato de que Lula participou diretamente do esquema de corrupção na Petrobras e que interferiu diretamente na nomeação de Paulo Roberto Costa para o comando da diretoria de Abastecimento da estatal.

Em nota enviada na noite desta sexta, assinada pelos advogados Roberto Teixeira e Cristiano Zanin Martins, a defesa de Lula critica o “vazamento ilegal” à Revista Veja.

Segundo a revista, Corrêa disse aos investigadores da Lava Jato que parlamentares do PP foram a Lula quando ele era presidente reclamar do avanço do PMDB sobre os contratos da diretoria comandada por Costa, indicado pelo PP, e que ouviram de Lula que as propinas dos contratos da área eram suficientes para atender tanto ao PP quanto aos peemedebistas.

Na delação, ainda não homologada pela Justiça, o ex-deputado diz também, ainda de acordo com a revista, que Lula orientou os parlamentares do PP a negociarem com o PMDB a partilha das propinas referentes aos contratos da diretoria e garantiu a eles que o PP ficaria com a maior parcela.

Segundo a Veja, Corrêa disse aos investigadores da Lava Jato que entre os integrantes do PMDB com quem negociou a divisão da propina está o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).
Leia a nota dos advogados na íntegra:

“Os advogados do ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva requereram hoje (27/05/2016) ao Juiz Federal da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba acesso ao termo de colaboração e eventuais anexos negociado entre o Ministério Público Federal e o ex-deputado Pedro Corrêa, por referência a seu cliente, dentre diversas outras pessoas citadas no suposto depoimento.

Tomam por base o vazamento ilegal da delação de Corrêa divulgado pela revista Veja na edição deste fim de semana (27/05). O ex-deputado foi condenado a mais de 20 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro pela prática de 72 crimes de corrupção e 328 operações de lavagem de dinheiro.

Para que possam tomar todas as medidas necessárias em relação às mentiras veiculadas, como de praxe, contra Lula com o intuito de para ofender sua honra e reputação, os advogados também pediram que seja apurada a responsabilidade pelo vazamento ilegal e seletivo da delação.”

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