Defesa de Lula reúne fotos de Moro em eventos para pedir suspeição

Narley Resende


O foto do momento de aparente descontração do juiz federal Sergio Moro e do senador Aécio Neves (PSDB-MG), durante evento na noite desta terça-feira (6), fez a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pedir novamente a suspeição do responsável pelos processos da Operação Lava Jato em primeira instância. A foto foi anexada nessa quarta (7) no processo que tramita desde novembro no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

O juiz recebeu o prêmio de “Brasileiro do Ano na Justiça” em cerimônia promovida pela revista IstoÉ, que também homenageou outras autoridades, como o presidente Michel Temer (PMDB). A defesa de Lula afirma que a imagem mostra “clara relação de proximidade e confraternização com Aécio Neves, notório adversário político do primeiro peticionário”.

No documento, estão reunidas outras imagens em que a defesa de Lula alega que o juiz Sérgio Moro se confraternizou com outros “algozes” do ex-presidente. Entre os casos, estão eventos em que Moro posou com o prefeito eleito de São Paulo, João Dória Jr. e deputado estadual de São Paulo Fernando Capez, ambos do PSDB, e participou de lançamento do Portal da Transparência do governo de Mato Grosso, governado pelo tucano Pedro Taques (PSDB).

A defesa alega que a participação de Moro em eventos de opositores do ex-presidente Lula comprovam a tese de que o magistrado não possui “a necessária isenção, equidistância, imparcialidade para julgar” o processo contra Lula.

Pedido de suspeição da Defesa de Lula com fotos de Sérgio Moro em eventos

Sérgio Moro com Aecio Neves
Foto: Diego Padgurschi / Reprodução

Outros eventos

Em resposta a argumentos da defesa, Moro disse em outubro que os eventos que já estavam citados não constituíam eventos político, pois foram organizados principalmente por órgãos da imprensa.

O desembargador federal João Gebran Neto já rejeitou o pedido da defesa no dia 2 de dezembro, em decisão monocrática. Segundo ele, todos os argumentos contra o juiz “foram devidamente rechaçados, não apenas por este relator, mas pela 8ª Turma”, em pelo menos três exceções de suspeição semelhantes.

Os advogados de Lula pediram inclusive documentos para saber o grau de proximidade entre Gebran Neto e o juiz: solicitaram, em outubro, as certidões de batismo dos filhos do desembargador e de casamento dos magistrados. O desembargador respondeu que eventual amizade entre julgadores de primeiro e segundo graus de jurisdição não provocam suspeição.

A defesa também apresentou ao TRF-4 queixa-crime contra o juiz por suposto abuso de autoridade como agente público federal. Também pede que a Organização das Nações Unidas analise a isenção do responsável pelos processos da “lava jato”.

Lula já virou réu em um processo que está nas mãos de Moro, acusado de ter negociado propina com executivos da OAS, “especialmente para alcançar governabilidade e financiar com recursos públicos desviados a permanência no poder”. Os advogados consideram a acusação “fruto de uma ‘convicção’ que a cada dia ostenta ter mais natureza política”.

Deltan Dallagnol
Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal

Suspeição dos procuradores do MPF

O juiz federal Sérgio Moro rejeitou, na última terça-feira (6), a exceção de suspeição movida pela defesa do ex-presidente Lula contra os Procuradores da República da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Para o juiz, é simplória a argumentação de defesa de Lula de que os procuradores seriam suspeitos para denunciar Lula por conta da entrevista coletiva em que apresentaram o ex-presidente com chefe de todo o esquema de corrupção na Petrobras, em 14 de setembro, data em que o MPF apresentou a denúncia.

Segundo os advogados de Lula, a entrevista teria antecipado conteúdo condenatório e teria caracterizado verdadeiro “espetáculo”, contrário à discrição profissional exigida. Alega ainda a Defesa que a denúncia oferecida, com adjetivações como “ardilosamente”, teria sido desrespeitosa, também refletindo exagero, excesso e imparcialidade e que o ex-presidente teria sido elevado a “inimigo capital” dos Procuradores da República, o que justificaria a exceção.

Fotos elencadas pela defesa de Lula na petição:

Com informações do Conjur

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