Defesa pede absolvição de Lula em ação sobre compra de silêncio de Cerveró

Narley Resende


A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou na última um pedido de absolvição do ex-presidente no processo que trata da suposta compra de silêncio do ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró. A ação penal tramita na 10ª Vara Federal de Brasília.

A investigação foi aberta com base na delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT e ex-PSDB-MS). Delcídio relatou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que Lula teria se empenhado para a compra do silêncio de Cerveró, que na época estava fechando acordo de delação premiada.

Os advogados de Lula sustentam que “Delcídio estava agindo em interesse próprio” e também pedem a anulação da delação do ex-senador. (Veja o documento com as alegações finais da defesa)

Os advogados de Lula analisaram os 31 depoimentos colhidos ao longo da instrução do processo, incluindo o do próprio Cerveró. “Esses depoimentos comprovaram que Lula jamais praticou qualquer ato objetivando impedir ou modular a delação de Cerveró”, diz a nota da defesa, assinada pelos criminalistas Cristiano Zanin Martins e José Roberto Batochio.

Nas alegações finais, a defesa pede a absolvição de Lula com base no artigo 386, II, do Código de Processo Penal por ‘inexistência de prova do fato imputado’. Os defensores pedem também ‘providências para que seja reconhecida a nulidade da delação premiada de Delcídio’.

“O Ministério Público já havia pedido a absolvição do ex-presidente Lula em suas alegações finais”, assinala a defesa. “Segundo a peça, ‘Delcídio estava agindo em interesse próprio. E Cerveró estava sonegando informações apenas no que se refere a Delcídio, e não sobre Lula, a quem inclusive imputava fatos falsos apenas no intuito de proteger Delcídio’ (…). Ainda de acordo com o Ministério Público Federal, ‘o chefe do esquema sagrou-se livre entregando a fumaça’.”

 

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