Delação de Delcídio chega a Sérgio Moro

Roger Pereira

O Ministério Público Federal anexou, na noite desta quarta-feira, a delação do ex-senador Delcídio Amaral, a um processo da Operação Lava Jato que tramita na 13ª Vara Federal de Curitiba. É a primeira vez a bombástica delação do ex-senador torna-se peça de um processo que está sendo julgado pelo Juiz Federal Sérgio Moro, consequentemente, será a primeira vez que o magistrado poderá usar as informações prestadas por Delcídio para embasar suas decisões.

Os depoimentos de Delcídio foram anexados pelo MPF à Ação Penal que tem com réu principal o ex-senador Gim Argello, acusado de cobrar propinas de empreiteiras para blindá-las na CPMI da Petrobras de 2014, evitando que seus executivos fossem convocados para prestar depoimento. No processo, Sérgio Morou determinou ao MPF que anexasse depoimentos e termos de delações de todas as testemunhas de acusação arroladas pela promotoria.

Uma das testemunhas indicadas pelo MPF é Delcídio, que citou, em sua delação, saber de ilicitudes envolvendo o desfecho da CPMI. Segundo depoimento de Delcídio, “os senadores Gim Argello e Vital do Rego e os deputados federais Marco Maia e Fernando Francischini cobravam ‘pedágios’ para não convocar e evitar maiores investigações contra os empresários Léo Pinheiro, Júlio Camargo e Ricardo Pessoa”. Segundo o ex-senador, os jantares em que foram discutidas “as não convocações podem ser comprovados por gravações das câmeras nas residências de Argello u nas ruas através dos sistemas de segurança, bem como peles próprios trabalhos da CPMI.

Ao anexar a delação de Delcídio à ação penal, o MPF se antecipou ao Supremo Tribunal Federal, que ainda não encaminhou a Sérgio Moro os termos de homologação da colaboração premiada do ex-senador. O MPF argumentou que, como tais documentos tiveram o sigilo levantando pelo STF, tornando-se de acesso público, não havia motivos para não anexá-los.


Além do processo contra Argello, a delação de Delcídio deverá ser um dos documentos a que Moro mais recorrerá nas próximas etapas de julgamentos da Lava Jato. Com a cassação do mandato do ex-líder do governo no Senado, o processo contra o próprio Delcídio deverá ser remetido para a Justiça Federal do Paraná. Além disso, as revelações do ex-senador, em 29 anexos, envolvem outras pessoas sem foro privilegiado, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os ex-ministros Antonio Palocci e Erenice Guerra e o ministro recém-exonerado José Eduardo Cardozo, entre outros.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal