Delação de Odebrecht pode sair em 30 dias

Redação


O juiz federal Sérgio Moro suspendeu por 30 dias uma das ações penais a que o empresário Marcelo Odebrecht responde em Curitiba. A suspensão, segundo Moro, é motivada pelas “informações de que estaria em andamento a negociação de alguma espécie de acordo de colaboração” entre o executivo e o Ministério Público Federal.

Neste momento, procuradores não se mostram dispostos a aceitar mais do que uma nova colaboração, o que tem feito Odebrecht e OAS disputarem espaço numa espécie de “corrida” pelo fechamento do acordo. O que está em jogo nessa disputa ainda é sigiloso.

Mas fontes ligadas à investigação admitem que o conteúdo das informações e a disposição em colaborar são fatores decisivos. Nesta semana, Marcelo Odebrecht assinou um termo de confidencialidade sobre as negociações da colaboração, que ainda não foi homologada.

A ação penal suspensa por Moro envolve Marcelo Odebrecht, os ex-executivos da empreiteira Rogério Santos de Araújo e Márcio Faria da Silva, além do ex-diretor da Petrobras Renato Duque e o ex-gerente da estatal Pedro Barusco.

O processo apura o pagamento de pelo menos 200 milhões de dólares em propina. Desse total, 30 milhões de dólares teriam sido destinados à gerência de Serviços da Petrobras, comandada por Renato Duque; de acordo com os investigadores, 50% desse valor teriam ido para o Partido dos Trabalhadores e o restante, para funcionários da estatal.

Marcelo Odebrecht responde a três processos no âmbito da Operação Lava Jato e já foi condenado a 19 anos de prisão. Uma das ações em andamento apura irregularidades no setor de operações estruturadas da Odebrecht, que teria funcionado como uma espécie de indústria de propina dentro da empresa.

O departamento todo teria movimentado 46 milhões de reais. Preso em 19 de junho de 2015 (14.ª fase da Lava Jato), Marcelo Odebrecht está atualmente detido na superintendência da Polícia Federal em Curitiba.

Já esteve no Complexo Médico Penal em Pinhais, na região metropolitana, para onde não voltou mais desde que foi levado à Polícia Federal em 22 de fevereiro para prestar esclarecimentos nas investigações da 23.ª fase da Lava Jato.

(Lenise Klenk, BandNews FM Curitiba)

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