Delator da Lava Jato passa a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica

Mariana Ohde


Após mais de cinco meses preso, o operador Zwi Skornicki colocou uma tornozeleira eletrônica e passa a cumprir prisão domiciliar. O delator da Operação Lava Jato foi preso acusado mediar pagamentos de propina ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Os detalhes da decisão judicial que autorizou a mudança para o regime domiciliar estão sob sigilo.

A Justiça Federal no Paraná apenas divulgou que, nesta sexta-feira (12), o engenheiro Zwi Skornicki colocou uma tornozeleira eletrônica e passa a cumprir prisão domiciliar.

O operador foi preso em fevereiro na 23ª fase da Lava Jato, batizada de operação Acarajé. Na mesma fase foram presos o ex-marqueteiro do PT, João Santana, e a sócia e esposa dele, Mônica Moura.

Zwi Skornicki é acusado de intermediar o repasse de US$ 4,5 milhões aos marqueteiros e ao ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

O empresário Zwi Skornicki é preso preventivamente. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O empresário Zwi Skornicki é preso preventivamente. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A propina teria sido paga pela empresa ao PT e a suspeita é a de que os valores foram desviados de contratos de quatro plataformas da Petrobras e de um estaleiro da Sete Brasil.

Em junho, Zwi Skornicki assinou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF). Ele responde por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Detalhes

Em um dos processos da Lava Jato, o empresário foi acusado de operar uma conta offshore na Suíça, por meio da qual o casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura recebeu US$ 4,5 milhões, valor referente a uma dívida por serviços de marketing político prestados ao PT durante a campanha da presidenta Dilma Rousseff em 2010.

O recebimento foi confirmado pelo casal.

No mês passado, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, Mônica Moura relatou que, em 2013, passou a pressionar o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto para que o pagamento da dívida, estimada em US$ 10 milhões, fosse feito.

A partir daí, segundo ela, foi orientada por Vaccari a procurar Skornicki, que seria responsável pelo pagamento de uma parcela.

Zwi Skornicki atuava como representante no Brasil do estaleiro Keppel Fels, que tinha contratos com a Petrobras. Nos depoimentos, o empresário também confirmou que intermediou pagamento de propinas a ex-diretores da estatal na construção nas plataformas de petróleo P-51, P52 e P56.

De acordo com o delator, o percentual de propina era 1% do valor dos contratos, que variavam entre US$ 650 milhões e US$ 750 milhões.

Acarajé

Também presos durante a Operação Acarajé, o marqueteiro do PT João Santana e a esposa, sócia e publicitária Mônica Moura, deixaram a carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, no dia 1 de agosto.

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, determinou que os investigados fossem soltos. “Depois que eles prestaram depoimento na semana passada o juiz entendeu que não existe mais a necessidade da prisão preventiva, já que eles estão colaborando com a operação”, afirmou o advogado do casal Fábio Tofic Simantob.

Santana e Moura precisaram pagar o total de R$ 31,5 milhões em fiança, o maior valor pago na Operação. O dinheiro foi apreendido nas contas do casal durante as investigações. São R$ 28 milhões de Mônica e R$ 2.756.426,95 de João Santana.

Eles não podem sair do pais ou encontrar outros investigados na operação. Tanto João Santana quanto Mônica estão proibidos pela Justiça de atuar de qualquer campanha eleitoral no Brasil até nova deliberação.

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Repórter no Paraná Portal
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