Delator cita propina para Gleisi e Bernardo

Jordana Martinez


O administrador Marcelo Maran, que era encarregado da contabilidade do escritório de advocacia responsável pela campanha da senadora Gleisi Hoffmann (PR), assinou acordo de delação premiada com a força-tarefa da Procuradoria-Geral da República, em Brasília. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (24)  pelo jornal Folha de São Paulo.

Maran é e investigado na Operação Custo Brasil, desdobramento da Lava Jato,  por suspeita de participar de um esquema de desvio de dinheiro em contratos de empréstimos consignados no âmbito do Ministério do Planejamento. Segundo a Folha,  acordo firmado com o Ministério Público Federal aguarda a homologação do ministro José Antonio Dias Toffoli, relator da operação no STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo a reportagem,  Maran descreveu aos procuradores o que seria o caminho da propina para a senadora, presidente do PT, e o marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo. O delator teria apontado quais notas fiscais arquivadas haviam sido forjadas para justificar despesas das campanhas de Gleisi e Paulo Bernardo.

Em nota oficial, a senadora Gleisi Hoffmann negou as acusações.

Veja a nota na íntegra:

“Mais uma vez a Folha de São Paulo, em sua edição desta quinta-feira, publica matéria em que um delator diz que escritório de advocacia, através de propina, pagava despesa de campanha e particulares minha e de Paulo Bernardo.

Esse assunto já foi noticiado anteriormente e já o desmentimos. O escritório em questão é de Guilherme Gonçalves, advogado e ex-militante de nosso partido, que trabalhou para o PT e nossas campanhas.

Nunca, no entanto, Guilherme ou seu escritório pagaram qualquer despesa pessoal ou de campanha minha ou de Paulo Bernardo. Os pagamentos do escritório envolvendo PT e as campanhas eram estritamente no exercício da advocacia política, como custas processuais e multas de campanha em que o escritório perdeu prazo para contestar.

Sobre contratos e recebimentos do escritório de Guilherme com outros clientes nada tenho a comentar, posto que desconheço por completo suas relações comerciais, não podendo ser responsabilizada por elas.

Quanto a pessoa que faz a delação, não o conheço e nunca mantive contato com ele. Seria bom que o jornal, ao fazer a denúncia, colocasse as provas que dão base ao que se fala.

Nesta semana, tivemos um caso muito elucidativo sobre divulgação de delações. A presidenta Dilma Rousseff foi delatada meses atrás por obstrução da Lava Jato, assunto que ganhou as manchetes de jornais por dias a fio. Agora que não se comprovou a autenticidade da denúncia, as matérias foram tímidas e ocuparam o pé das páginas dos jornais, num flagrante exemplo da falta de equilíbrio e justiça na cobertura jornalística.

Gleisi Hoffmann”

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.