Delegados haviam denunciado desmanche da Lava Jato no Paraná

Jordana Martinez


A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) já havia denunciado a movimentação nos bastidores para o suposto “desmanche” da equipe da Lava Jato no Paraná. Em fevereiro deste ano, a ADPF encaminhou ao presidente Michel Temer (PMDB) um pedido de mudança na direção-geral da instituição pela constante omissão do diretor-geral enfraquece a instituição.

Uma das principais motivações dos delegados para pedir a saída de  Leandro Daiello eram as transferências envolvendo “peças-chave de investigações importantes”.

Na época o presidente da ADPF, Carlos Eduardo Miguel Sobral, já defendia mudanças: “A atual administração já não atende as necessidades da instituição. Nós precisamos fortalecer a PF. São seis anos sem novas perspectivas e novos projetos. Agora com a mudança do ministro da Justiça, com o Alexandre [Moraes] no Supremo é uma oportunidade de promover as mudanças na PF, com crescimento e condições de fazer mais investigações e operações”, afirmou.

“Há um entendimento entre os delegados que a administração não apoia de forma devida as operações na Polícia Federal. É cada vez mais difícil aos delegados ter acesso a recursos humano e material para continuar com as investigações”.

Ainda de acordo Sobral, as “dificuldades” impostas pela administração resultaram, principalmente, na saída de delegados que foram responsáveis por investigações da Lava Jato. “Uma forma de dificultar a operação é a troca constante do delegado responsável, já que a cada mudança o responsável precisa aprender sobre o assunto investigado e isso leva tempo”, disse. “O número de indiciamentos caiu mais pela metade de 2011 para 2015”, complementou.

Marcio Anselmo 

Em fevereiro o delegado Márcio Adriano Anselmo deixou a força-tarefa Lava Jato no Paraná. Ele foi autor do inquérito que deu origem às investigações sobre corrupção na Petrobras e era o delegado que a mais tempo trabalhava dedicado no caso, há três anos. Neste caso, a transferência foi um pedido do próprio servidor.

Em uma carta enviada ao superintendente da Polícia Federal no Paraná, Rosalvo Ferreira, o delegado alegou esgotamento físico e mental. Adriano Alsemo aceitou um convite para comandar a Corregedoria da Polícia Federal no Espírito Santo.

Eduardo Mauat e Luciano Flores

Outro caso de transferências de delegados envolvidos na Lava Jato aconteceu julho do ano passado. Nesta ocasião, foram desligados da operação Eduardo Mauat e Luciano Flores. Um deles deixou evidente o descontentamento com a decisão.

Mauat chegou a gravar um vídeo e afirmou, na época da transferência, que não voltaria a atuar na Operação Lava Jato enquanto o atual diretor-geral da PF, Leandro Daiello, permanecer no cargo.

Em nota oficial, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal argumenta que a PF é o único órgão que permite o afastamento de servidores que trabalham em grandes casos.

O grupo considera a medida como abando institucional e argumenta que Ministério Público Federal (MPF) e Justiça Federal não agem dessa forma.

A associação pede ao presidente Michel Temer o afastamento imediato de Leandro Daiello e deve apresentar três delegados de classe especial, escolhidos em assembleia da categoria, para substituir o atual diretor-geral da instituição.

O Paraná Portal entrou em contato com a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal e com o Sindicato dos Delegados da Polícia Federal do Paraná (Sidepol) para repercutir a decisão e aguarda resposta.

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Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.
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