Delfim Neto recebe intimação da Lava Jato

Narley Resende


O economista e ex-ministro da Fazenda da Ditadura Militar, Delfim Neto (87), foi intimado pala Polícia Federal em Curitiba para prestar esclarecimentos sobre assuntos ligados à Operação Lava Jato. A assessoria do escritório do advogado Maurício Silva Leite confirmou que fará a defesa de Delfim.

“A defesa do economista Antônio Delfim Netto refuta de maneira veemente que tenha havido qualquer irregularidade na prestação de serviços de consultoria do seu cliente. Os advogados Ricardo Tosto e Maurício Silva Leite são taxativos: “O economista Antônio Delfim Netto prestou serviços de consultoria na área econômica e recolheu todos os impostos em decorrência da prestação dos serviços.”, diz o escritório em nota.

A intimação foi feita pela delegada de PF Renata da Silva Rodrigues, da força-tarefa Lava Jato. Delfim teria sido intimado para explicar o suposto recebimento de R$ 240 mil em dinheiro entregues pelo “departamento de propina” da Odebrecht em 22 de outubro de 2014 no escritório do advogado e sobrinho do ex-ministro Luiz Appolonio Neto, em São Paulo.

O inquérito tramita em sigilo e não há data definida para o depoimento.

Delfim também foi citado em delação do executivo Flávio Barra, da Andrade Gutierrez.  Ele disse que a empreiteira pagou propina de R$ 15 milhões a Delfim Netto, na fase final das negociações para a construção da usina de Belo Monte, em 2010. Teria sido uma “gratificação” por ele ter ajudado a montar consórcios que disputaram a obra, segundo Barra, que presidiu a AG Energia, braço da Andrade para esse mercado.

O montante teria chegado a Delfim por meio de contratos fictícios de empresas de um sobrinho dele, Luiz Appolonio Neto, com a Andrade Gutierrez, a segunda maior empreiteira do país, de acordo com Barra. Não teria havido, porém, prestação de serviços, segundo o executivo da AG, o que pode caracterizar corrupção. Os contratos fictícios foram entregues aos procuradores pelo executivo como prova de seu relato.

Em coluna assinada no jornal Folha de S. Paulo em abril, Delfim negou irregularidades. “No leilão da hidroelétrica de Belo Monte, em abril de 2010, haveria um único concorrente. Trabalhei para ajudar a promover um segundo consórcio para que ele fosse mais transparente, competitivo e vencesse o menor preço, o que daria maior eficiência ao projeto”, contestou Delfim. “Foi o que de fato aconteceu. Recebi honorários por serviço prestado, materialmente comprovado pelo resultado do leilão, através de contratos registrados e impostos devidamente recolhidos”, concluiu.

A empreiteira Andrade Gutierrez também fez um acordo de leniência, uma espécie de delação para empresas, no qual aceitou pagar multa de R$ 1 bilhão. A empreiteira ainda se comprometeu a apresentar provas das atividades ilícitas que realizou para obter contratos de obras públicas. Entre as contribuições da Andrade Gutierrez para a investigação, estão informações sobre pagamentos de propina em obras da hidrelétrica de Belo Monte.

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