Denúncia aceita por Moro é sobre sondas do pré-sal

Narley Resende


Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

Seis envolvidos na Lava Jato se tornaram réus ontem em um processo que apura propinas pagas pelo estaleiro Jurong para construir sondas de exploração do pré-sal.

A denúncia havia sido feita pelo MPF (Ministério Público Federal) em outubro de 2016, mas só foi acatada ontem pelo juiz Sérgio Moro.

Segundo a acusação, o empresário Guilherme Esteves, representante do estaleiro, usou contas no exterior para repassar US$ 5,94 milhões em propinas a três ex-dirigentes da Sete Brasil: Pedro Barusco, João Ferraz e Eduardo Musa.

Em 2011, a Petrobras abriu licitação para construção de 21 sondas e a concorrência foi vencida pela Sete Brasil, empresa criada com esse propósito.

Em seguida, a Sete Brasil subcontratou cinco estaleiros e dividiu a produção das 21 sondas entre eles. Para ficar com os contratos de 7 dessas sondas, o Jurong teria se comprometido a pagar propinas de US$ 50,8 milhões (0,9% do valor dos contratos), mas foi identificado o depósito de US$ 5,94 milhões.

Os três recebedores da propina – Barusco, Ferraz e Musa – fizeram delação premiada. Nos depoimentos, contaram que o combinado inicial previa que o Jurong pagaria somente aos executivos da Petrobras e da Sete Brasil.

Outros três estaleiros (Atlântico Sul, Enseada do Paragua- çu e Rio Grande) pagariam ao PT, através do ex-tesoureiro João Vaccari, e o estaleiro Keppel Fels pagaria ambos.

O acordo foi confirmado por Zwi Scornicki, representante do Keppel Fels, que também fez delação, mas o processo aceito ontem diz respeito apenas às propinas pagas pelo Jurong aos ex-dirigentes da Sete Brasil.

O estaleiro Jurong foi procurado nos telefones disponíveis na internet, mas não houve retorno. À época da denúncia, a Sembcorp Marine, que controla o estaleiro, informou “acreditar que as alegações contra a empresa são sem mérito e sem base”.

 

 

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