Desenvolvedor garante que sistema de comunicação secreto da Odebrecht não foi adulterado

Roger Pereira


Responsável pela instalação, na Suíça, do sistema Drousys, usado pela Odebrecht para comunicação sigilosa e segura entre os funcionários da empreiteira, Paulo Sérgio da Rocha Soares afirmou, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, que não houve adulteração no sistema depois da deflagração da Operação Lava Jato. “O sistema tinha dispositivo de segurança que registra qualquer acesso às informações, Se alguém fizesse adulteração, estaria registrado. Nunca ninguém me pediu para fazer adulteração”, declarou o depoente que, desde 2016, auxilia o Ministério Público Federal na extração das informações contidas nos servidores.

O empresário depôs como testemunha em um processo chamado de incidente de falsidade, aberto para investigar recibos de pagamento de aluguel apresentados por Luiz Inácio Lula da Silva no caso do apartamento vizinho à residência do ex-presidente, que era alugado por Lula.

Soares contou, no entanto que, após a deflagração da operação, ele foi procurado pela Odebrecht para que desconectasse todos os usuários do sistema, impedindo que alguém o manipulasse. “Era um sistema de comunicação, no entanto, as informações que eram trocadas ali dentro eram de responsabilidade dos usuários. Eu instalei o sistema e passei o controle à área técnica da Odebrecht, nunca tive acesso aos conteúdos”, alegou.

Delator na Lava Jato, Soares contou que foi contratado pela Odebrecht em 2016 para orientar a empresa e, posteriormente (após a celebração do acordo de delação premiada) a força-tarefa da Lava Jato sobre como extrair todos os dados do sistema sem correr o risco de corromper nenhum arquivo.

Segundo o delator, há, hoje, ao menos três cópias do Drousys (às quais foi negado o acesso à defesa de Lula): “Uma com o MPF, uma com a Odebrecht e uma com o Departamento de Justiça norte-americano).

Na sexta-feira, dia 15 de dezembro, na mesma ação, serão ouvidos o engenheiro Glaucos da Costamarques e o contador João Muniz Leite. Os novos depoimentos, feitos à pedido do MPF, têm como objetivo esclarecer contradições a respeito dos recibos.

Glaucos da Costamarques, primo do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, foi denunciado por ser o suposto laranja do ex-presidente na aquisição do terreno e do apartamento.

O ex-presidente apresentou os recibos de pagamento assinados por Glaucos em setembro deste ano. Parte do material tem erros e datas inexistentes, como “31 de novembro”.

No incidente de falsidade, o Ministério Público Federal investiga a autenticidade dos papéis. Glaucos tem afirmado que, em dezembro de 2015, foi visitado pelo advogado de Lula, Roberto Teixeira, no hospital Sírio Libanês.

Na ocasião, ele teria recebido o compromisso de que o ex-presidente passaria a pagar pelo aluguel do apartamento 121 do condomínio Hill House, ocupado por Lula.

O engenheiro alega ter recebido a visita do contador João Muniz, que teria levado todos os recibos para que assinasse de uma só vez.

Registros do hospital revelam que Glaucos foi visitado três vezes pelo contador. Mas nos registros não consta a entrada do advogado de Lula no Sírio Libanês para a visita.

Os advogados de Lula negam as acusações e afirmam que não há qualquer prova de que o ex-presidente recebeu propina.

Os procuradores justificaram o pedido de nova audiência com Costamarques e Leite alegando que os recibos de aluguel só foram entregues pela defesa de Lula na fase de diligências complementares e, por isso, a acusação não teve a oportunidade de questionar o engenheiro e o contador na fase de interrogatórios.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal