Ex-gerente da Transpetro é preso na Lava Jato por desvio de dinheiro

Mariana Ohde


Com Andreza Rossini

O ex-gerente da Transpetro (subsidiária da Petrobras), José Antonio de Jesus foi preso nesta terça-feira (21), na Operação Sothis, 47ª fase da Operação Lava Jato. Ele e seus familiares são suspeitos de receber R$ 7 milhões em propina paga por uma empresa de engenharia. Os valores foram recebidos entre setembro de 2009 e março de 2014.

Para a procuradora da República Jerusa Burmann Viecili, “neste caso houve um dos esquemas mais rudimentares de lavagem de dinheiro da Lava Jato. A propina saía da conta bancária da empresa de engenharia para a conta bancária de empresa do filho sem qualquer contrato ou justificativa para o repasse do dinheiro. Além disso, estão sendo investigados contratos entre a própria empresa do filho, controlada de fato pelo ex-gerente, e a Transpetro, o que pode indicar a inexistência ou falha grave de mecanismos de compliance”.

Todos os mandados expedidos pela Justiça já foram cumpridos; são oito mandados de busca e apreensão, cinco de condução coercitiva e um de prisão temporária, quando vence no prazo de cinco dias.

As investigações, segundo o MPF, tiveram início com base na colaboração premiada dos executivos da empresa de engenharia. Foram realizadas diversas diligências com base nas informações, como afastamento de sigilos bancário, fiscal, telemático e de registros telefônicos. As medidas revelaram a existência de vínculos entre os investigados e corroboraram os atos narrados pelos colaboradores.

As provas indicam que o ex-gerente recebeu suborno para favorecer a empresa de engenharia em contratos com a Transpetro. Para dissimular e ocultar a origem ilícita dos recursos, o valor foi pago por meio de depósitos realizados em contas bancárias de terceiros e familiares, vindo de contas de titularidade da empresa de engenharia ou de seus sócios.

O ex-gerente teria pedido, inicialmente, o pagamento de 1% do valor dos contratos da empresa com a Transpetro como propina, entretanto, o acerto final ficou em 0,5%. Este valor foi pago mensalmente em benefício do Partido dos Trabalhadores (PT), de modo independente dos pagamentos feitos pela mesma empresa a pedido da presidência da Transpetro, e que eram redirecionados ao PMDB. O ex-gerente se desligou da subsidiária da Petrobras recentemente.

“Esse ex-gerente era vinculado ao movimento sindical e ao PT de maneira informal. Ele mencionou que os valores seriam revertidos ao partido quando solicitou o pagamento de propina”, afirmou Jerusa.

O procurador da República Athayde Ribeiro Costa destaca que “houve um esquema político-partidário contínuo e duradouro na Transpetro, como na Petrobras. Os crimes praticados na Transpetro são uma nova frente de investigações da Lava Jato, em expansão. Como ocorreu no caso da Petrobras, este é o momento mais favorável para quem quiser colaborar com a Justiça se apresentar”.

Segundo o MPF, as investigações na Transpetro devem ser aprofundadas.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal