Divulgação de depoimentos de Odebrecht é indiferente, diz defesa

Fernando Garcel


Fernando Garcel e Andreza Rossini

O principal advogado da empreiteira Odebrecht, Nabor Bulhões, concedeu uma rápida entrevista em frente à sede da Justiça Federal do Paraná. Ele é responsável pela defesa do ex-presidente da construtora Marcelo Odebrecht, que vai ser interrogado pela primeira vez na condição de delator pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na primeira instância, na tarde desta segunda-feira (10).

Marcelo Odebrecht irá depor pela primeira vez como delator no processo que tem como réu o ex-ministro Antonio Palocci e outros 14 réus da 35ª fase da Lava Jato, batizada de Omertà. Como colaborador da investigação, Odebrecht é obrigado a responder todas as perguntas do juiz, do Ministério Público Federal e das defesas dos réus.

É provável que o depoimento permaneça sob sigilo, sem a divulgação dos vídeos da audiência. Isso tem acontecido em todos os interrogatórios de colaboradores da Odebrecht ao juiz Sérgio Moro, pois os acordos ainda estão sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Bulhões, a defesa é favorável a publicação da oitiva, porém a decisão cabe ao STF.

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As oitivas com testemunhas continuam na semana que vem. Na próxima terça-feira (18), serão ouvidos o casal de publicitário João Santana e Mônica Moura. O ex-ministro Antônio Palocci e o ex-assessor dele Branislav Kontic são os últimos réus interrogados. As audiências deles estão marcadas para o dia 19 de abril.

Marcelo Odebrecht

Marcelo Odebrecht responde por corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Ele já foi condenado a uma pena de cerca de 19 anos pelos dois crimes e por associação criminosa. O ex-presidente da empreiteira está preso há um ano e dez meses.

Operação Omertà

Palocci, que foi ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff e ministro da Fazenda de Lula, esta preso na capital paranaense desde setembro de 2016 e responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o ex-ministro Palocci estabeleceu uma ligação com altos executivos da Odebrecht com o objetivo de atender aos interesses do grupo diante do governo federal, entre 2006 e 2013. A interferência de Palocci teria se dado mediante o pagamento de R$ 128 milhões em propinas. Os recursos eram destinados, principalmente, ao Partido dos Trabalhadores (PT).

 

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