Duque fica em silêncio, Dirceu nega tudo em audiência da Lava Jato

Roger Pereira


Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, na ação penal que aputa o pagamento de propina pela empresa de tubos Apolo para viabilizar contrato com a Petrobras, o ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque, permaneceu em silêncio, enquanto o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, também réu no processo, negou todas as acusações e disse não ter qualquer relação com o contrato.

Sem acordo de colaboração firmado com a Justiça e o Ministério Público Federal, Renato Duque aproveitou a audiência para deixar clara sua intenção de fazer uma delação premiada. “Eu quero reiterar minha disposição total de colaborar com a Justiça, mas , no momento, por orientação do meu advogado, eu permanecerei alado”, limitou-se a declarar.

Já José Dirceu afirmou que, neste processo, é inocente. “Na ação que fui condenado, eu reconheci os empréstimos, a reforma do meu apartamento com o senho Milton Pascowich. Mas com esse contrato eu não tenho nenhuma relação”, disse. “Eeu considero a denúncia completamente inepta e não sei por que eu estou sendo relacionado com esse contrato. Estou sendo responsabilziado pelo contrato da Petrobras com uma empresa com a qual eu não tenho ou tive nenhuma relação”, acrescentou.

Dirceu disse que fez apenas uma consultoria no Panamá para uma das empresas envolvidas. “Cobrei aquilo que foi adequado e eles pagaram”, disse. O pagamento de vantagens a José Dirceu neste contrato foi citado pelo delator Júlio Camargo, que atuou como representante comercial da Apolo junto à Petrobras, sendo o responsável pelo pagamento das propoinas. “Jamais pedi para Renato Duque ou qualquer diretor da Petrobras intervenção em qualquer licitação e jamais ele prometeu para mim qualquer recurso, muito menos deu orientação para Júlio Camargo entregar recurso para mim”.

Lembrado pelo juiz Sérgio Moro que usou, sem pagar, avião pertencente a Júlio Camargo, Dirceu rebateu: “Usei o avião emprestado, nunca me cobrou e jamais fez relação com qualquer pagamento de qualquer dívida. Ele me oferecia o avião sem nada em troca”. Ele afirmou, ainda que, o lobista não pode relacionar a propina neste contrato ao uso do avião, uma vez que já o fez em relação a outra ação penal, na qual Dirceu foi condenado. “O avião já está pago, segundo ele, no processo da Engevix. Não pode relacionar de novo”, afirmou.

No final de seu depoimento, Dirceu reivindicou diretamente a Moro, que responda o processo em liberdade, já que não há risco de fuga e nem obstrução do processo. “O senhor não está preso por este processo, está preso em outro caso em que eu já decidi”, rebateu Moro.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal