Após silêncio, Duque pede para ser ouvido novamente em processo que envolve Palocci

Fernando Garcel


O ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque pediu para ser interrogado novamente pelo juiz federal Sérgio Moro. Na última semana, ele e o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) João Vaccari Neto ficaram em silêncio durante a audiência. Além de Duque, a ação tem como principal réu o ex-ministro Antonio Palocci.

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O ex-diretor responde por crime de corrupção passiva neste processo. Ele já foi condenado em quatro ações e responde a outros seis processos no âmbito da Lava Jato em primeira instância. Duque cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba.

De acordo com a petição da defesa, Duque deseja colaborar, de forma espontânea, com a Justiça. “O ora acusado de forma espontânea e sem quaisquer reservas mentais, pretende exercer o direto de colabora com a Justiça. Tal pretensão do acusado é feita livre de qualquer coação física ou mental, e representa seu desejo de colaborar com as autoridades na elucidação dos fatos ora investigados”, diz o texto assinado pelos advogados.

A defesa argumenta que em crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens, a colaboração com as investigações prevê a redução da pena em até dois terços.

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No primeiro depoimento, Renato Duque chegou a argumentar que poderia colaborar com a investigação, mas que por orientação da defesa ficaria em silêncio.

“Neste processo, em particular, tem diversas questões que eu poderia esclarecer, mesmo considerando que a condução deste processo não foi de responsabilidade da área de Serviço da Petrobras e sim de outra área. No entanto, por orientação expressa da minha defesa, neste momento, eu permanecerei em silêncio”, alegou.

Operação Omertà

Sete réus desta ação penal já prestaram depoimento ao juiz Sérgio Moro. O Ministério Público Federal acusa Palocci de beneficiar a Odebrecht no governo federal em troca de propina. A denúncia está relacionada à obtenção, pela empreiteira Odebrecht, de contratos de afretamento de sondas com a Petrobras. De acordo com os investigadores, os repasses feitos a Palocci teriam passado de R$ 128 milhões.

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Depois do interrogatório de todos os réus, a Justiça Federal abre prazo para a entrega das alegações finais, por escrito, última etapa antes de o juiz decretar a sentença.

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