“Ela estava na ala das prisioneiras do PCC, umas das mais perigosas do país”, diz filha de Monica Moura

Andreza Rossini


A publicitária Monica Moura, esposa do marqueteiro do PT, João Santana, presa durante cinco meses devido as investigações da Operação Lava Jato, passou parte do período de custódia detida junto com as prisioneiras da quadrilha conhecida como “Primeiro Comando da Capital”, no Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, de acordo com a carta aberta divulgada pela estudante e filha de Monica,  Alice Moura Requião, nas redes sociais, nesta terça-feira (2).

“Ela sorriu desmedidamente até no dia que eu fui visitar ela numa penitenciária de segurança máxima, onde ela ficou 45 dias. Me deixaram vê-la depois de 30 dias que ela passou em período de “triagem”, onde só podia tomar banho de sol 3 vezes por semana, passava todo o resto do tempo trancada numa cela de 2 metros. Ficou as primeiras 48 horas seguidas nessa mesma cela, sem luz nenhuma. Sem saber que horas eram, sem poder pedir pra que os seus advogados trouxessem uma lâmpada, afinal, eram regras do presídio. Sem acesso a uma caneta pra escrever uma carta pros filhos dela. Com as costelas machucadas porque estava dormindo num colchão fino que fazia com que ralasse as costas a noite toda. Ah, ela estava na ala das prisioneiras do PCC, umas das mais perigosas do país”, diz a carta.

Mônica Moura e João Santana são suspeitos de envolvimento no esquema de desvio de dinheiro da Petrobras. Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, responsável pela operação, Monica confirmou que recebeu dinheiro de caixa 2 da campanha da presidente afastada Dilma Rousseff, em 2010. O casal foi solto na segunda-feira (1), por determinação do juiz, mediante pagamento de R$ 31,5 milhões.

Mônica Moura e João Santana foram presos em  fevereiro, durante a 23ª fase da Operação. O casal foi transferido para o presídio em maio.

O Paraná Portal procurou a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. A Justiça Federal não se pronunciou sobre o caso.

A carta é resposta a uma reportagem publicada pelo jornal O Globo, que cita que Moura deixou a carceragem da Polícia Federal sorrindo.

Veja na íntegra:

Eles não podem sair do pais ou encontrar outros investigados na operação. Tanto Santana quanto Mônica estão proibidos pela Justiça de atuar de qualquer campanha eleitoral no Brasil até nova deliberação.

Depoimento

Em depoimento a Moro a publicitária, esposa e sócia do marqueteiro João Santana, admitiu que os R$ 4,5 milhões recebidos por sua empresa em uma conta na Suíça através do empresário Zwi Skornicki tinham como objetivo a quitação de parte da dívida da campanha da presidente Dilma de 2010 com os publicitários. Ela disse, ainda, que os recursos não foram registrados na Justiça Eleitoral e nem declarados por sua empresa. “Era Caixa 2 mesmo”, admitiu.

“Esses R$ 4,5 milhões foram parte de um dívida de R$ 10 milhões que o PT tinha com a gente da campanha de 010 da presidente Dilma. Cobrei muito essa dívida, lutei para recebê-la, até que o João Vaccari Neto (então tesoureiro do PT) me indicou o Zwi, empresário que estaria interessado em contribuir com o partido. Acertei com ele, então, o pagamento destes R$ 4,5 milhões”, disse. “Nunca perguntei a origem do dinheiro, queria apenas ser remunerada pelo meu trabalho”, acrescentou.

Ao prestar depoimento à Polícia Federal, em fevereiro, quando foi presa na 23ª fase da Operação Lava Jato, Mônica havia declarado que os recursos eram referentes a trabalhos prestados para campanhas políticas em Angola. Questionada pelo juiz por que não falou a verdade na ocasião, ela disse que não queria incriminar a presidente Dilma no momento político que o Brasil atravessava. “Não falei a verdade, primeiro porque ser presa é uma situação extrema, não é fácil raciocinar em uma situação dessas. Segundo, porque na situação que o Brasil estava, com toda a pressão sofrida pela presidente Dilma, eu não quis influenciar nisso, não quis incriminar a presidente, eu achava que ia contribuir para piorar a situação do Brasil falando o que realmente aconteceu e, por isso, disse que era referente a uma campanha no exterior”, afirmou.

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