Em acareação, Bumlai e Delúbio mantêm versões divergentes

Roger Pereira


O pecuarista José Carlos Bumlai manteve a versão de que esteve em uma reunião no Banco Schahin, em 2004, na presença do então tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para tratar de um empréstimo do PT junto ao banco em seu nome, no valor de R$ 12 milhões, mesmo depois que o próprio Delúbio, em acareação conduzida pelo juiz federal Sérgio Moro, nesta segunda-feira, negou tais fatos.

Bumlai afirmou, inclusive, que a conversa incial sobre o empréstimo tratava de um montante de R$ 6 milhões, e que o próprio Delúbio solicitou que fossem acrescidos outros R$ 6 milhões por conta de “uma necessidade de caixa dele”.

Delúbio, que solicitou a acareação negando que tivesse participado de qualquer reunião com Bumlai e representantes do Banco Schahin, recuou na acareação, dizendo não se lembrar se esteve ou não na reunião citada por Bumlai. “Eu costumava visitar a Schahin Engenharia, que fica no mesmo prédio do banco. Pode ser que tenha passado por lá quando eles estavam em reunião mas não me lembro”, disse, negando, no entanto, que tenha solicitado qualquer empréstimo em nome do PT. “Eu nunca falei com Bumlai sobre necessidade do PT, que o PT precisasse de dinheiro. Quero dizer ao senhor que o depoimento do Sr. José Carlos Bumlai não corresponde à verdade. Eu não pedi dinheiro. As coisas que eu faço, eu assumo. No mensalão, eu assumi todas as minhas responsabilidades. Mas neste processo, eu não tenho responsabilidade. Não pedi esse empréstimo, não mandei fazer esse empréstimo, não sabia destes R$ 12 milhões”.

Confrontado com a verão de Delúbio, Bumlai foi incisivo. “Mantenho minha afirmação, ele. Ele esteve na reunião e foi determinante para o empréstimo ter sido de R$ 12 milhões e não de R$ 6 milhões, afirmou. “Quando eu cheguei na reunião, inclusive, você já estava lá”, acrescentou.

Esta foi a primeira acareação de réus da Lava Jato na Justiça Federal. Em outras ocasiões, os investigados participaram desse tipo de procedimento na Polícia Federal e na CPI da Petrobras. Delúbio Soares é réu em uma ação penal decorrente da 27.ª fase da operação Lava Jato, assim como mais oito pessoas. De todos eles, apenas o dono do Diário do Grande ABC, o empresário Ronan Maria Pinto, continua preso. Ronan é acusado de ter recebido R$ 6 milhões do empréstimo que foi feito ao pecuarista José Carlos Bumlai. Também nesta segunda-feira (27) prestaram depoimentos como testemunhas de acusação, o próprio José Carlos Bumlai e o empresário Salim Schahin, ambos por videoconferência, e o doleiro Alberto Youssef, presencialmente.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal