Em depoimento, Delcídio do Amaral dá poucos detalhes sobre a estruturação do Instituto Lula

Fernando Garcel


Delcídio do Amaral - testemunha de lula
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O ex-senador Delcídio do Amaral (PT) prestou depoimento como testemunha de acusação no processo que tem como principal réu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tarde desta segunda-feira (22). O delator reafirmou as informações que constam no termo de delação premiada e disse que teve pouco contato com a estruturação do Instituto Lula. De acordo com ele, o contato era com o pecuarista José Carlos Bumlai e só falavam o necessário.

Nesta ação penal, Lula e outras oito pessoas são investigadas pela compra de um terreno que seria destinado à construção de uma nova sede para o Instituto Lula. A força-tarefa aponta que a aquisição do terreno pela empreiteira Odebrecht seria uma forma de pagamento de propina ao ex-presidente.

Na condição de delator, Delcídio tem o direito de não aparecer nas imagens registradas pela Justiça Federal. No depoimento, que durou pouco mais de 40 minutos, o ex-senador explicou sua relação com o ex-ministro Antonio Palocci, a sua filiação no Partido dos Trabalhadores (PT) e sua relação com o ex-presidente Lula.

De acordo com o depoente, o pecuarista José Carlos Bumlai procurou Marcelo Odebrecht para implementar o Instituto Lula. “Eu imagino que seria algo nesse sentido. Vai procurar Marcelo Odebrecht pra fazer o que?”, declarou o senador. “Estruturar um instituto não é uma coisa simples. Ele nunca detalhou. Com José Carlos Bumlai eu tinha uma conversa como um jogo de xadrez… Cada um falava o mínimo necessário”, afirmou Delcídio.

[insertmedia id=”Cyo3l3OJFy4″]

[insertmedia id=”s800GlxLO8E”]

Durante a audiência, a defesa do ex-presidente Lula interrompeu questionamentos do Ministério Público Federal (MPF) que não teriam relação com a ação penal vigente. O juiz federal Sérgio Moro chegou a ceder, mas orientou que o ex-senador respondesse aos questionamentos do MPF.

Também são réus nesse processo o ex-presidente do grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, o ex-ministro Antônio Palocci, o ex-assessor do ministro Branislav Kontic e mais quatro pessoas.  Eles são acusados de lavagem de dinheiro.

Outros depoimentos

Além de Delcídio, foram ouvidos o empresário da Toyo Setal, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e o ex-presidente da empreiteira Camargo Correa, Dalton Avancini.

Esse caso tem audiências marcadas até, pelo menos, final de junho. Serão ouvidas dez testemunhas, entre elas estão o ex-presidente da Camargo Correa, Dalton Avancini; o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa; o ex-gerente de serviços, Pedro Barusco, e o ex-diretor da área internacional da estatal, Nestor Cerveró.

[insertmedia id=”l-wgJ8PKWVc”]

[insertmedia id=”nN4v0UcJC1U”]

A denúncia contra Lula

Nesta ação penal é investigada a compra de um terreno, pela Odebrecht, que seria destinado à construção de uma nova sede para o Instituto Lula. Os procuradores também incluem na denúncia a compra de um apartamento vizinho ao local onde o petista mora, em São Bernardo do Campo (SP).

Depois de ouvidas as pessoas indicadas pelos procuradores, a Justiça Federal passa a colher os depoimentos das testemunhas de defesa. Foi neste processo em que o ex-presidente Lula indicou 87 pessoas para depor. A ação tem, ao todo, nove réus.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="432826" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]