Emílio Odebrecht diz que orientou Lula sobre criação de Instituto

Roger Pereira


Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, como testemunha de acusação em ação penal contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Conselho de Administração do grupo Odebrecht, ” Emílio depôs no processo em que Lula é acusado de receber vantagens indevidas da Odebrecht a partir da aquisição de um apartamento em São Bernado do Campo – SP e de um terreno em São Paulo para a construção da sede do Instituto Lula.

Emílio Odebrecht afimou, no entanto, não ter conhecimento sobre aquisição do terreno onde seria instalado o instituto e disse que as contribuições para a criação da instituição, que ele defendia ser uma fundação, não têm relação com contratos com a Petrobras.

“Eu sempre procurei dizer a ele (Lula), a necessidade de se preparar para o futuro. Instruí ele a pensar no dia seguinte ao fim de seu mandato. E aí surgia conversa sobre instituto ou fundação. Eu expliquei a ele as iniciativas internacionais de vários ex-presidentes neste sentido. Então, quando ele saiu da presidência eu indiquei alguém da minha equipe a ajudá-lo a fundar esse instituto a orientar quanto as instalações. Mas essa história de aquisição de terreno, eu desconheço”, afirmou.

Indagado novamente pela defesa de Lula, ele afirmou que “incentivamos e fizemos contribuições em dinheiro para a criação de uma instituição que pudesse preservar e divulgar o legado do governo. Fiz com todos os ex-presidentes, inclusive com alguns do exterior”, acrescentou.

Palocci era o interlocutor financeiro

Durante o depoimento, Emílio Odebrecht afirmou que, esteve com Lula durante seu mandato de presidente em diversas ocasiões, na maioria delas, sozinho. Questionado se nas conversas com Lula era tratado assuntos como contribuições financeiras a partidos, ele disse que houve esse tipo de conversa, “assim como teve também com outros presidentes”, mas salientou que as negociações eram feitas por interlocutores indicados por Lula e por ele. “Apesar da relação de amizade e confiança, a relação era cerimoniosa. A questão de valores, ele indicava a pessoa dele, eu indicava a minha pessoa para tratar dessas questões, eu orientava a atender e compatibilizar alguns fatores, como evitar discrepância entre partidos para evitar ciúmes e problemas, que buscassem negociar, minimizando ao máximo os valores e fazer no tempo mais esticado possível”, explicou.

Quando lhe perguntaram quem era o interlocutor indicado por Lula, o depoente afirmou que, na maioria das vezes, mesmo depois de deixar o Ministério da Fazenda, era Antônio Palocci.

http://paranaportal.uol.com.br/operacao-lava-jato/marcelo-nos-pediu-para-avaliar-um-terreno-para-comprar-para-o-instituto-lula-diz-executivo-da-odebrecht/

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal