Empresário investigado pela Lava Jato é preso ao tentar sair do país

Jordana Martinez


 

O empresário vinculado aos grupos Trafigura e Decal, Mariano Marcondes Ferraz, foi preso pela Polícia Federal na tarde desta quarta-feira (26), no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. A prisão preventiva foi expedida pelo Juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba. O empresário estava prestes a embarcar em voo internacional para Londres, na Inglaterra.

O pedido foi feito pela força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba. Segundo os procuradores, havia evidências de que o empresário poderia fugir do país: “verificou-se que o empresário poderia facilmente não mais retornar ao território nacional, atrapalhando, com isso, a efetividade do processo e de futura sanção penal em caso de condenação”.

No despacho, o juiz federal Sérgio Moro destacou indícios de que o executivo praticou crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

De acordo com o processo, entre os anos de 2011 e 2013, Ferraz efetuou o pagamento de vantagens indevidas que superam o patamar de US$ 800 mil, em razão de contratos firmados com a Petrobras ao então diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, mediante depósitos em conta offshore mantida no exterior por dos genros do ex-diretor. Os documentos comprobatórios dos pagamentos confirmam o depoimento prestado por Costa em acordo de colaboração premiada, que afirma ter recebido propina de Ferraz em razão de contratos firmados com a estatal. O pagamento de propina, conforme apontam as investigações, ocorreram por vários anos, até ao menos 2014.

O pedido de prisão preventiva foi formulado pelos procuradores da República “para garantir a ordem pública e evitar o risco à aplicação da lei penal, pois Ferraz possui dupla nacionalidade (brasileira e italiana) e reside no exterior, onde também trabalha e possui vultuosos recursos financeiros depositados”.

Ainda de acordo com os procuradores, como o empresário está registrado em zona eleitoral no exterior e não vota no segundo turno das eleições municipais de 2016, não há ilegalidade no cumprimento do mandado de prisão preventiva como prevê a legislação eleitoral.

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.