Engenheiro diz que reforma do tríplex custou R$ 770 mil e que Marisa visitou obra

Fernando Garcel


O engenheiro Armando Dagre Magri, sócio da Talento Construtora, responsável pelas reformas no tríplex do condomínio Solaris, no Guarujá (SP), declarou em depoimento que visitou o imóvel apenas uma vez e na reunião encontrou o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, a ex-primeira dama Marisa Letícia e o filho do ex-presidente Fábio Luiz.

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Ele é uma das testemunhas de acusação do Ministério Público Federal (MPF) no processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato.

Segundo Magri, os serviços de reforma do apartamento foram contratados pela empreiteira OAS. Esse serviço foi o único deste porte contrato pela empreiteira com a empresa do engenheiro. Segundo ele, as obras teriam custado aproximadamente R$ 770 mil e foram realizadas entre maio e setembro de 2014.

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De acordo com o sócio da Talento, ele visitou a obra apenas uma vez entre agosto e setembro, quando a obra estava em fase de finalização. Na época, a visita teria sido motivada para verificação das reformas no local. No local, Magri afirma que encontrou Léo Pinheiro, o engenheiro Paulo Gordilho, a esposa e um dos filhos do ex-presidente Lula. Em resposta a defesa do ex-presidente, ele Magri afirmou que, aparentemente, aquela foi a primeira visita de Marisa ao tríplex. “Ela entrou e falou da vista. Na hora eu senti que ela ficou espantada. ‘Nossa que vista linda’! Então eu achei que era a primeira vez que ela estava entrando”, declarou.

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Denúncia

O ex-presidente Lula foi indiciado por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. No inquérito, Lula é apontado como recebedor de vantagens pagas pela empreiteira OAS no triplex do Guarujá. Os laudos apontam melhorias no imóvel avaliadas em mais de R$ 777 mil, além de móveis estimados em R$ 320 mil e eletrodomésticos em R$ 19,2 mil. A PF estima que as melhorias tenham custado mais de R$ 1,1 milhão no imóvel do Guarujá.

A ex-primeira dama Marisa Letícia foi indiciada por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Para a PF, Marisa recebeu, junto a Lula, vantagens indevidas da empreiteira OAS nas reformas do tríplex. Marisa e o filho de Lula, Fábio Lula foram intimados para prestar depoimento não âmbito da força-tarefa, sobre o sítio de Atibaia e não compareceram a oitiva marcada para o dia 16 de agosto. A defesa alegou que eles não são obrigados a depor.

Paulo Tarcisio Okamoto foi indiciado por crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, ele recebeu vantagens indevidas entre 2011 e 2016 que totalizaram mais de R$ 1,3 milhão do empreiteiro Léo Pinheiro.

Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, é acusado por corrupção ativa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Ele teria pagado a Gordilho para a realização das obras e trasporte e armazenamento dos bens do casal. O total pago em vantagens indevidas chega a R$ 2.430.193.

Paulo Gordilho, ex-diretor da OAS, teria atuado diretamente no pagamento de propina junto a Léo Pinheiro. Foi indiciado pelos crime de corrupção ativa.

Operação Aletheia

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão na casa de Lula, principal alvo da fase. O ex-presidente foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo (SP). Também foram levados para depoimento dois filhos de Lula, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e os empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna.

Cinco das maiores empreiteiras investigadas na Lava Jato – Camargo Correa, OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Queiroz Galvão- teriam feito pagamentos e doações às empresas de Lula: o Instituto Lula e a LILS Palestras. Os valores somavam cerca de R$ 30 milhões.

As investigações também apontaram que o ex-presidente recebeu benefícios através da OAS, da Odebrecht e do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula. As construtoras e o empresário teriam custeado reformas e a compra de móveis para o sítio e o triplex.

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