Escrevente relata que elaborou minuta de venda do sítio de Atibaia para o ex-presidente Lula

Jordana Martinez

BandNewsCuritiba

Um cartorário afirmou nesta quarta-feira (21), em depoimento ao juiz Sérgio Moro, que produziu uma minuta de escritura do sítio de Atibaia, alvo da Lava Jato, em nome do ex-presidente Lula. João Nicola Rizzi foi ouvido como testemunha no processo em que Lula é acusado de ter sido beneficiado indevidamente pelas empresas Odebrecht, OAS e Schahin, por meio de reformas realizadas no sítio. Segundo o escrevente, o documento foi elaborado a pedido do advogado Roberto Teixeira, amigo de Lula e réu no mesmo processo.

O sítio está em nome dos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna. Para o Ministério Público Federal, o verdadeiro proprietário é o ex-presidente Lula. No depoimento, o cartorário confirmou as informações prestadas à Procuradoria. Segundo a testemunha, a intenção de Lula era comprar o sítio de Atibaia.

De acordo com o Ministério Público Federal, as reformas teriam beneficiado o ex-presidente Lula como contrapartida aos negócios firmados com a Petrobras. As reformas teriam custado cerca de um milhão de reais. Mais uma vez, o advogado Cristiano Zanin afirmou que a Procuradoria conduziu o depoimento sem se ater aos fatos narrados na acusação.


Ainda nesta quarta, o executivo Fernando Schahin também prestou depoimento como testemunha de acusação no processo. Ele afirmou que o ex-presidente Lula ‘abençoou’ o acordo fechado entre a Petrobras e o Grupo Schahin, para a operação de um navio sonda. A informação teria sido repassada pelo pecuarista José Carlos Bumlai. Segundo o Ministério Público Federal, o contrato foi firmado para quitar uma dívida que o Partido dos Trabalhadores tinha com o Grupo Schahin.

Pela denúncia, Bumlai fez um empréstimo de doze milhões de reais, no banco do Grupo Schahin, e repassou os valores para o PT. A dívida foi quitada com o contrato de operação do navio sonda. A testemunha não soube dizer se o ex-presidente Lula tomou alguma atitude prática para confirmar a anuência do acordo com a Petrobras.

Os depoimentos de testemunhas de acusação seguem até 26 de março. Depois, são ouvidas as testemunhas de defesa. O interrogatório dos réus ainda não foi agendado. Além do ex-presidente Lula, também são acusadas na ação penal mais doze pessoas. Segundo o Ministério Público Federal, os recursos para a reforma no sítio de Atibaia vieram de oito contratos da Petrobras.

Quatro deles com a Odebrecht, três com a OAS e um com a Schahin. A defesa de Lula afirma que o ex-presidente jamais praticou qualquer ato em benefício de empreiteiras durante o período em que ocupou o cargo de Presidente da República e tampouco recebeu qualquer vantagem indevida na forma da compra de bens ou em reforma de imóveis. Os advogados dizem que Lula também não é e jamais foi proprietário do sítio de Atibaia; ele apenas frequentou o local, com familiares, como convidados da família Bittar – em razão de uma amizade de mais de 40 anos.

Post anteriorPróximo post
Jordana Martinez
Editora-chefe Paraná Portal
Comentários de Facebook