Operação Lava Jato
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Ex-executivo confirma propina e diz que Palocci é italiano na planilha da Odebrecht

Jordana Martinez, Roger Pereira e Fernando GarcelEm depoimento ao juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, na manhã desta segunda..

Fernando Garcel - 13 de março de 2017, 15:03

Jordana Martinez, Roger Pereira e Fernando Garcel

Em depoimento ao juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, na manhã desta segunda-feira (13),  o ex-executivo da Odebrecht, Marcio Faria, confirmou o pagamento de propina aos ex-diretores da Petrobras, Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Pedro Barusco. A pedido dos advogados dos delatores, o Moro decretou o sigilo das oitivas, mas o Paraná Portal teve acesso ao conteúdo sigiloso minutos antes da decretação de sigilo.

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No depoimento, o ex-executivo respondeu questões referentes aos esquemas de pagamento de propina. Segundo o delator, cada contrato era único e tinha "sua história". Sobre a Diretoria de Serviços, os esquemas eram operacionalizados a partir de Pedro Barusco que solicitava a aprovação do pagamento dos valores indevidos.

Sobre a planilha de pagamentos de propina a agentes políticos, Marcio Faria afirmou categoricamente que o codinome 'italiano' se refere ao ex-ministro Antônio Palocci. Segundo o delator, a relação com Palocci era tratada exclusivamente com Marcelo Odebrecht.

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http://paranaportal.uol.com.br/operacao-lava-jato/moro-admite-falha-em-vazamento-de-depoimento-de-emilio-odebrecht-mas-nao-tomara-providencia/

"As discussões com o ministro Palocci eram realizadas pelo Marcelo. Eu nunca tive esse tipo de discussão com o ministro Palocci", afirmou.

Sobre uma intensa troca de e-mails, Moro questiona sobre a posição de "italiano" nas conversas. De acordo com o Faria, o acompanhamento de Palocci se dava pelo cargo que ele exercia no governo. "Excelência, entendo eu que no cargo que o ex-ministro Palocci ocupava era a exatamente o acompanhamento para saber o posicionamento do governo", diz.

Marcio Faria confirmou ainda que houve solicitação de propina no contrato relativo ao estaleiro Paraguassú, mas que, neste caso, a empresa se negou a fazer o pagamento.

"Basicamente consistia em 1% do valor do contrato, que seria rateado entre 2/3 para o PT e 1/3 para o pessoal "da casa"... dos estaleiros nacionais, leia-se Enseada, Atlantico Sul e Rio Grande, seriam pagos 100% do 1% ao PT, e o pessoal da casa (pago) por estaleiros estrangeiros. Mas nós já tínhamos tomado a decisão que não pagaríamos propina sobre esse contrato", afirmou.

Para Emílio Odebrecht pode haver mais de um "italiano"

No depoimento anterior, o dono do grupo Odebrecht, Emílio Odebrecht, afirmou que não podia dar certeza que os pagamentos destinados ao 'italiano' seriam para Palocci, uma vez que qualquer pessoa com descendência italiana poderia ter recebido o codinome. “Existem muitos apelidos na organização e eu seria leviano e irresponsável em dizer que ‘italiano’ é também, e pode ser também, Antônio Palocci. Todo mundo que tinha descendência italiana, de uma forma ou de outra, na organização poderia estar . Com certeza, ele também era identificado como ‘italiano'”, declarou o delator.

Outras testemunhas

Também serão ouvidos na ação o atual presidente da Odebrecht, Newton de Souza, e os ex-executivo e também delator e Pedro Novis. Ainda não há informações se os demais depoimentos serão mantidos em sigilo.

Na parte da manhã, também deve ser ouvido pelo juiz da Lava Jato o  ex-ministro da Justiça no governo Dilma, José Eduardo Cardozo, arrolado como testemunha de defesa de Palocci. Além deles, outras duas pessoas chamadas pela defesa do ex-assessor de Palocci Branislav Kontic depõe pela manhã.

Na parte da tarde, a partir das 14h, será ouvido o vice-governador do Rio Francisco Dornelles, arrolado também como testemunha de defesa de Palocci, e outras sete testemunhas arroladas por demais réus da ação penal.