Ex-presidente da Andrade Gutierrez diz que se recusou a pagar “contribuição” a integrantes da CPI da Petrobras

Roger Pereira


Em depoimento à Justiça Federal do Paraná, no processo que tem entre os réus o ex-senador Gim Argello, o ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, disse que se recusou a atender ao pedido de colaboração financeira feito pelo ex-senador e pelo então senador Vital do Rêgo (hoje ministro do Tribunal de Contas da União), que comandavam a CPI da Petrobras no Congresso Nacional em 2014, assim que percebeu a possível relação entre o pedido de contribuição e os trabalhos da CPI.

Azevedo confirmou que recebeu, em sua residência, o então presidente da OAS, Léo Pinheiro e os presidente e vice da CPI da Petrobras, Vital do Rêgo e Gim Argello para conversar sobre contribuições a um grupo político que estava se formando visando as eleições daquele ano. “Nunca foi mencionada qualquer relação com os trabalhos da CPI, mas estava implícito. Estavam ali o presidente e o vice da CPI, 15 dias depois de a comissão ser instalada”, disse, informando que o que foi explicitado para ele era que se pretendia formar um grupo de empresas para juntar R$ 30 milhões em colaborações para esse novo grupo político, “que também nunca me foi informado quis políticos fariam parte”, acrescentou.

Desta primeira reunião, Azevedo conta que foi agendado um novo encontro, em Brasília, em que a Andrade Gutierrez foi representada por outros dois executivos, Flávio Machado e Gustavo Barreto, para se aprofundar o assunto. “Pelo reporte que eles me fizeram, mais uma vez deixando claro que não houve detalhamento nenhum de pedido de colaboração relacionado com eventual favorecimento na CPI da Petrobras, concluímos que estava clara a relação do pedido de apoio com os trabalhos da CPI e decidimos que não iriamos participar disso”, contou, informando que procurou Gim Argello na sequência, disse que a Andrade Gutierrez não faria parte de tal grupo político e que nunca mais se tratou do assunto dentro da empresa.

“As contribuições que fizemos aos partidos, inclusive destes políticos, já estavam programadas e faziam parte de nossa estratégia de contribuições eleitorais. Não nos sentíamos ameaçados pela CPI, até porque o volume de negócios com a Petrobras era relativamente baixo e, por isso, nos recusamos a fazer parte deste grupo”, concluiu.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal