Ex-presidente da Andrade Gutierrez presta depoimento ao juiz Sérgio Moro

Fernando Garcel


Repórter Tabata Viapiana, da CBN Curitiba

O ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, vai ser ouvido nesta quinta-feira (28) pelo juiz Sérgio Moro. Como ele é colaborador da operação Lava Jato, não poderá ficar em silêncio durante a audiência.

Otávio Marques de Azevedo vai prestar depoimento como réu da 14ª fase da Lava Jato. Ele foi denunciado por envolvimento no pagamento de propina da Andrade Gutierrez. Delatores afirmaram que o ex-presidente tinha conhecimento das irregularidades dentro da empreiteira e até participava de reuniões para acertar os repasses de vantagens indevidas.

A audiência está marcada para 14h, na Justiça Federal do Paraná. Além de Otávio, também será ouvido um ex-diretor da empresa: Paulo Roberto Dalmazzo. Na última terça-feira, foram interrogados mais três executivos. Todos firmaram acordos de delação premiada com a Procuradoria Geral da República no início do ano, e por isso, não podem ficar em silêncio nas audiências e precisam responder todas as perguntas do juiz Sérgio Moro.

Na época em que as colaborações foram firmadas, o processo contra a Andrade Gutierrez já estava em fase final de julgamento. Moro suspendeu por um tempo o trâmite da ação penal e só retomou os prazos no final de junho, após ser comunicado sobre a homologação dos acordos pelo Supremo Tribunal Federal. O juiz também quis interrogar novamente os réus da empreiteira, agora na condição de delatores, com a obrigação de colaborar com a Justiça. Por isso, foram marcadas as audiências desta semana.

Otávio Marques de Azevedo chegou a ficar preso em Curitiba por cerca de oito meses e só deixou a cadeia após a assinatura da delação. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Nos depoimentos da colaboração, Otávio contou aos investigadores que a Andrade Gutierrez pagou propina em forma de doações legais para as campanhas da presidente afastada Dilma Rousseff em 2010 e 2014. Os valores eram desviados de obras da Petrobras e do setor elétrico, como a usina de Belo Monte.

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