Ex-presidente do PSDB teria recebido R$ 10 mi de empreiteira

Redação


Alvo da 33ª fase da Operação Lava Jato, batizada de “Resta Um”, a empreiteira Queiroz Galvão é suspeita de ter pago R$ 10 milhões ao ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra. A Polícia Federal tem como base da investigação um vídeo em que Guerra aparece em uma reunião com Paulo Roberto Costa, Fernando Baiano, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE) e empreiteiros em 2009.

Na época da reunião, além de presidir o PSDB, o tucano também ocupava uma das cadeiras do Senado e, segundo a PF, a conversa seria para esvaziar as investigações da CPI da Petrobras. Guerra morreu em 2014. O ex-presidente do partido morreu em 2014.

O coordenador da força-tarefa Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, ressaltou a gravidade da obstrução dos trabalhos de apuração de 2009, porque “a investigação da CPI era como um guardião da Petrobras. As evidências indicam que o ladrão roubou a casa e, em seguida, matou o vigia”.

As investigações indicam que a Queiroz Galvão formou, com outras empresas, um cartel de empreiteiras que participou ativamente de ajustes para fraudar licitações da Petrobras. Esse cartel maximizou os lucros das empresas privadas e gerou prejuízos bilionários para a estatal.

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Além dos ajustes e fraude a licitações, as evidências colhidas nas investigações revelam que houve corrupção, com o pagamento de propina a funcionários da Petrobras. Executivos da Queiroz Galvão pagaram, segundo o Ministério Público Federal, valores indevidos em favor de altos funcionários das diretorias de Serviços e de Abastecimento da Companhia. Esses crimes estariam comprovados por farta prova documental que corroborou o depoimento de, pelo menos, cinco colaboradores, sendo três deles dirigentes de empreiteiras.

O Grupo Queiroz Galvão foi identificado, durante a Lava Jato, como o terceiro com maior volume de contratos celebrados com a Petrobras, alcançando um total superior a R$ 20 bilhões. O MPF lembra, ainda, que há um histórico de envolvimento do grupo com grandes esquemas de corrupção. Por exemplo, o grupo já figurou nas operações Monte Carlo, Castelo de Areia e Navalha, e tendo sido as duas últimas anuladas nos tribunais superiores.

Segundo a Polícia Federal, o nome da Operação, “Resta Um”, remete “tão somente ao fato de se tratar da última empresa de grande porte investigada na formação de cartel junto à Petrobras, não remetendo a um possível encerramento das investigações da Operação Lava Jato”.

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