Ex-senador Gim Argello é condenado a 19 anos de prisão

Andreza Rossini


O juiz federal Sérgio Moro condenou nesta quinta-feira (13) o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) a 19 anos de prisão e 413 dias e dez salários mínimos de multa, pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e obstrução à justiça.

O cumprimento da pena inicial deve ser em regime fechado. A progressão para regime semi-aberto ou aberto fica condicionada a reparação dos danos causados pelo ex-senador. Argello foi preso durante na Operação Vitória de Pirro, desdobramento da Lava Jato, em abril.

Gim Argello foi condenado por receber propina, por meio de doações oficiais para campanha, com o objetivo de não convocar o empreiteiro Ricardo Pessoa e o executivo Walmir Pinheiro para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou irregularidades na Petrobras em 2014.  De acordo com a condenação divulgada hoje, ele recebeu pelo menos R$ 7 milhões e 350 mil em vantagens indevidas. Para o crime de corrupção a condenação foi de seis anos e oito meses de reclusão, com multa de 150 dias.

O ex-senador teria cobrado R$ 5 milhões de cada empreiteira para barrar a convocação de seus executivos.

“O condenado, ao invés de cumprir com seu dever, aproveitou o poder e oportunidade para enriquecer ilicitamente, dando continuidade a um ciclo criminoso. A prática de crimes por parlamentares, gestores da lei, é especialmente reprovável, mas ainda mais diante de traição tão básica de seus deveres públicos e em um cenário de crescente preocupação com os crimes contra Petrobrás”, afirmou Moro.

Pelos crimes de lavagem de dinheiro, a pena fixada por Moro foi de cinco anos de reclusão, mais 110 dias de multa. O crime de obstrução à justiça teve pena de quatro anos e um mês de reclusão.  Jorge Afonso Argello Júnior, Paulo Cesar Roxo Ramos e Valério Neves Campos foram absolvidos destes crimes.

O ex-senador está detido no Complexo Médico-Penal, na Região Metropolitana de Curitiba.

Outras condenações

O executivo Walmir Pinheiro Santana, ligado à UTC engenharia foi condenado pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução à investigação de organização criminosa, a 9 anos, oito meses e 20 dias de reclusão.

Ricardo Pinheiro da UTC e Léo Pinheiro da OAS foram condenados pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O primeiro é delator da operação e está com pena de 10 anos e seis meses. Léo deve cumprir oito anos e dois meses, ele teve um processo de colaboração premiada cancelado pela Procuradoria-Geral da República após vazamento de informações para a Revista Veja.

O executivo Walmir Pinheiro Santana, ligado à UTC, foi condenado a 9 anos, 8 meses e 20 dias de reclusão por corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução à investigação de organização criminosa. Ele também é delator da operação.

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