Ex-senador Gim Argello é preso na 28ª fase da Lava Jato

Mariana Ohde


O ex-senador Gim Argello (PTB-DF) foi preso preventivamente na 28ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira (12). A fase “Vitória de Pirro” investiga a cobrança de propinas para evitar convocação de empreiteiros em comissões parlamentares de inquérito sobre a Petrobras – Gim Argello era membro da CPI no Senado e vice-presidente da CPMI, da Câmara e do Senado. Seu nome foi citado nas delações do senador Delcídio do Amaral e do dono da UTC, Ricardo Pessoa. O procurador Athayde Ribeiro Costa explicou que a prisão preventiva do ex-senador foi necessária porque os valores envolvidos ainda não foram recuperados.

O secretário-geral da Câmara Legislativa do Distrito Federal, o contador Valério Neves Campos, e um assessor de Gim Argello, Paulo Cesar Roxo Ramos, foram presos temporariamente também nesta nova fase.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), há evidências de que o ex-senador pediu R$ 5 milhões em propina para a empreiteira UTC Engenharia e R$ 350 mil para a OAS, duas empresas que também são investigadas na operação. O MP afirma que foram colhidas “provas, em cognição sumária, de que dirigentes das empreiteiras envolvidas no esquema criminoso que vitimou a Petrobrás pagaram vantagem indevida, ou seja propina, ao então Senador [Gim Argello] para que não fossem convocados a prestar depoimentos durante os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito [CPI] instaurada no Senado para apurar crimes havidos na Petrobrás e da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito [CPMI] instaurada no Senado e na Câmara para apurar esses mesmos crimes, tudo durante o ano de 2014” – quando a Operação Lava Jato já estava em curso. Segundo a PF, não há investigações relativas ao envolvimento de outros parlamentares até o momento.

Também estão sob investigação pedidos de propina dirigidos a outras empreiteiras envolvidas no esquema criminoso que se firmou na Petrobras.

Para o Procurador da República Athayde Ribeiro Costa, “os fatos são alarmantes porque há fortes indicativos de que uma comissão de investigação parlamentar, que tem um importante papel de investigação de fatos graves em nossa democracia, foi usado por um então senador para, em vez de combater a corrupção, praticá-la”.

Pagamentos
Segundo o colaborador Ricardo Pessoa, Gim Argello teria orientado que o valor relativo à UTC fosse dividido e doado aos diretórios distritais de quatro partidos políticos: Democratas (DEM/DF), Partido da República (PR/DF), Partido da Mobilização Nacional (PMN/DF) e Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB/DF). Estes partidos,juntamente com o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB/DF), formaram, em 2014, a coligação “União e Força”, pela qual Gim Argello era candidato a novo mandato de senador da República pelo Distrito Federal. Não há indício de que tais partidos tenham participado ou tivessem ciência da origem ilícita dos recursos, segundo os investigadores. Segundo o procurador Carlos Fernando de Lima, o envolvimento dos partidos confirma que a corrupção no Brasil “não é partidária, mas fruto do sistema político”. Já os valores destinados à OAS teriam sido transferidos para a conta bancária da paróquia São Pedro, do Distrito Federal. Segundo o procurador Carlos Fernando de Lima, a paróquia é uma instituição “suscetível de ser usada” para a lavagem de dinheiro por receber doações, muitas vezes em espécie. “Não é por que é uma Igreja Católica ou de qualquer outra denominação que nós não vamos aprofundar as investigações”, disse o procurador.

Previous ArticleNext Article
Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal