Ex-tesoureiro do PP, João Cláudio Genu, é indiciado na Lava Jato

Mariana Ohde


A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-tesoureiro do Partido Progressista, João Claudio Genu, e mais três pessoas em processo relacionado a 29ª fase da Operação Lava Jato. O relatório da PF foi finalizado nesta terça-feira (21). Além do ex-tesoureiro, foram indiciados o sócio dele Lucas Amorim Alves, a esposa Cláudia Gontijo Resende Genu e o cunhado Antônio Gontijo de Rezende.

Entre os crimes praticados estão formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro. Em despacho, o Juiz Sérgio Moro pediu que o Ministério Público Federal se manifeste sobre o indiciamento em um prazo de cinco dias, ou seja, se os procuradores vão ou não apresentar denúncia contra os quatro citados no relatório da PF.

João Cláudio Genu foi preso preventivamente no dia 23 de maio, na etapa chamada de Repescagem. Ele é suspeito de ter recebido e ajudado a distribuir valores em espécie do esquema de corrupção da Petrobras. De acordo com declarações de delatores da Lava Jato, o PP foi o responsável pela nomeação de Paulo Roberto Costa ao cargo de Diretor de Abastecimento da Petrobrás e em contrapartida o ex-dirigente apoiava financeiramente o partido.

Em documento, a PF informou que duas grandes empreiteiras, a OAS e a Camargo Correa, também investigadas pela Lava Jato, obtinham mediante cartel e ajuste fraudulento de licitações grandes contratos junto à Petrobrás.

Do total de recursos obtidos nos acordos, 1% era destinado à Diretoria de Abastecimento da estatal, sendo que 60% do valor era repassado a agentes políticos, entre eles parlamentares federais, do Partido Progressista. A Polícia Federal diz ter encontrado a entrada de R$ 7 milhões sem identificação de origem em empresas de Genu. Além disso, pelo menos R$ 2 milhões teriam sido propina paga em espécie a Genu, entre 2005 e 2013.

O ex-tesoureiro do PP já foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no Mensalão, mas absolvido da acusação de corrupção porque o crime prescreveu e, por meio de recursos, também absolvido do crime de lavagem de dinheiro.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal