Executivos da OAS ficam em silêncio após cancelamento de delação

Narley Resende


Os executivos da empreiteira OAS permaneceram em silêncio em depoimento ao juiz Sérgio Moro, nesta quarta-feira (24), na Justiça Federal em Curitiba. Oito pessoas prestaram depoimento no processo da Lava Jato contra o ex-senador Gim Argello (PTB-DF), acusado de cobrar propina de empreiteiros para dispensá-los de falar a duas CPIs da Petrobras em 2014. Apenas os executivos da empreiteira UTC falaram ao juiz.

Entre os depoentes estava o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, cuja negociação de delação foi suspensa na última segunda — após vazamento de informações sobre suposta citação ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Apesar dos dirigentes da OAS terem ficado em silêncio, foram ouvidos por Moro os executivos Ricardo Pessoa e Walmir Santana, da UTC, que já confessaram, em delação, terem pago R$ 5 milhões a Argello para se livrar da CPL. Ambos também são réus no processo.

Por fim, Moro ouviu mais três parlamentares arrolados como testemunhas de defesa de Argello, os deputados Antonio Imbassahy (PSDB-BA), Hugo Leal (PSB-RJ) e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).

Vários deputados e senadores que compuseram uma das duas CPIs foram chamados a depor, inclusive alguns citados pelo ex-senador Delcídio do Amaral como participantes do esquema. Estes são investigados no STF por terem foro privilegiado.

Léo Pinheiro, já condenado a 16 anos e 4 meses de prisão em um processo sobre a Petrobras, é réu nesta ação pela suspeita de ter pago até R$ 5 milhões a Argello.

Na 28ª fase da lava Jato, em abril, a Policia Federal (PF) revelou um e-mail em que Pinheiro pede a dois subordinados na OAS (que também serão ouvidos hoje) que depositem R$ 350 mil à Paróquia São Pedro, em Taguatinga (DF), por conta do “projeto alcoólico”, um jogo de palavras com a bebida Gim.

Argello, que dará depoimento a Moro na próxima sexta, frequentava a igreja e teria mediado a doação para a festa de Pentecostes, descontando o valor da propina paga pela OAS para não ser chamada à CPI. A defesa de Argello afirma que se manifestará apenas nos autos. Já a OAS informa que não comentará o assunto.

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