Executivos da UTC confirmam propina a Argello

Roger Pereira


Por Lenise Klenk / BandNews FM Curitiba

Na audiência de interrogatório em que executivos da OAS permaneceram em silêncio, dois delatores da Lava Jato ligados à UTC Engenharia confirmaram informações que haviam prestado em colaboração sobre o pagamento de propinas ao ex-senador Gim Argello. O juiz Sérgio Moro interrogou o dono da UTC, Ricardo Pessoa, e o ex-diretor da empreiteira Walmir Pinheiro Santana.

Ricardo Pessoa disse que temia, assim como outros empreiteiros, ser convocado a depor na CPI Mista da Petrobras. Ele conta que em 2014, quando as CPIs do Senado e Mista foram instaladas, procurou o ex-senador Gim Argello, então vice-presidente da CPMI. Depois de negociações, duraram de maio a junho de 2014, Pessoa diz ter alinhado os pagamentos pedidos pelo ex-senador para financiamento de campanhas eleitorais. “Como eu tinha já acertado com o senador Gim R$ 5 milhões em contribuições políticas, o Paulo Roxo me apresentou uma lista de partidos e uma proposta de parcelamento. Eu nem me preocupei em ver para que partidos eram, apenas em garantir o parcelamento, porque era uma quantia muito elevada, mas parece que era para candidatos no Distrito Federal”, disse.

O empresário diz que decidiu fazer as contribuições legalmente. Segundo Ricardo Pessoa, Gim Argello indicou o assessor Paulo Roxo para negociar os detalhes dos pagamentos, que totalizaram R$ 5 milhões. O empreiteiro diz que não falou sobre o motivo das contribuições com assessores de Argello.

Os recursos da UTC foram destinados aos diretórios distritais do Democratas (DEM), PR, PMN e PRTB, que formavam, com o PTB de Argello, a coligação “União e Força”, pela qual o ex-senador concorreu a novo mandato, mas não foi eleito. Gim Argello está preso desde 12 de abril, quando foi deflagrada a 28.ª fase da Lava Jato, chamada de Vitória de Pirro.

Além dos R$ 5 milhões da UTC, mais R$ 350 mil teriam sido doados pela construtora OAS, a pedido de Gim Argello, na conta da paróquia São Pedro, de Taguatinga, no Distrito Federal. De acordo com a denúncia do Ministério Público, pelo menos quatro empreiteiras pagaram propina ao ex-senador: UTC Engenharia, OAS, Toyo Setal e Odebrecht. Outras três também teriam sido assediadas por Argello, mas não pagaram os recursos exigidos. Para sexta-feira, às 9h30, estão marcados os interrogatórios de Gim Argello e do filho, Jorge Afonso Argello Júnior, ambos réus no mesmo processo.

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Repórter do Paraná Portal
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