Fraudes em ferrovias federais são alvo de desdobramento da Lava Jato

Narley Resende


A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta quinta-feira (30) a Operação Tabela Periódica, um desdobramento da Operação Lava Jato que investiga fraudes na licitação e pagamento de propina a ex-­servidores da Valec referentes às obras de ferrovias federais.

Os investigadores identificaram a participação de pelo menos 16 empresas num cartel que atuou na construção das ferrovias Norte­-Sul e Integração Leste-­Oeste, no período entre 2000 e 2010.

No Paraná, são cumpridos três mandados de condução coercitiva, quando o investigado é levado à depor por força policial, e três de busca e apreensão. A operação é conduzida pela PF de Goiás.

A ação é baseada em provas colhidas no acordo de leniência da empreiteira Camargo Corrêa com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em desdobramento das investigações da Lava Jato e nova etapa da Operação “O Recebedor”.

No total, são 44 mandados de busca e apreensão e 14 de condução coercitiva em Goiás e em mais oito Estados. Um procurador da República, cerca de 200 policiais federais, 26 peritos criminais federais e 52 agentes do Cade participam da operação.

Os mandados foram concedidos pelo juiz substituto da 11ª Vara Federal da Seção Judiciária de Goiás, especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

Acordos de leniência

Inicialmente, a Construções e Comércio Camargo Corrêa e alguns de seus administradores haviam formalizado acordos de leniência e de colaboração premiada com o MPF (já homologados pelo juiz da 11ª Vara Federal da Seção Judiciária de Goiás), e confessaram a existência do cartel, as fraudes em licitações, a lavagem de dinheiro e a prática de corrupção em contratos com a Valec, e concordaram e se obrigaram a restituir aos cofres públicos a importância de R$ 75 milhões.

Investigação

Ferrovia Norte Sul. Reprodução / Emater
Ferrovia Norte Sul. Reprodução / Emater

Somente no estado de Goiás, em obras executadas da Ferrovia Norte-Sul, foi detectado desvio de R$ 630 milhões. Os investigadores concluíram que as empreiteiras realizavam pagamentos regulares, por meio de contatos simulados a um escritório de advocacia e para mais duas empresas sediadas no estado de Goiás. Segundo a PF, as empresas eram usadas como fachada para maquiar origem licita para dinheiro de fraudes em licitações públicas. Os investigados vão responder por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O Recebedor

O nome da operação, “O Recebedor”, é uma referência à Operação Trem Pagador, deflagada em julho de 2012 pelo MPF de Goiás e pela Polícia Federal. A operação Trem Pagador investigou o empresário José Francisco das Neves, conhecido como “Juquinha”, ex-presidente da empresa pública Valec, a mulher dele, Marivone Ferreira das Neves, e os filhos Jader, Jales e Karen. Juquinha é suspeito de usar os familiares como “laranjas” para ocultar patrimônio possivelmente obtido com o produto dos crimes de peculato e de licitação praticados no exercício da presidência da Valec, entre 2003 e 2010.

Operação Saqueador

Em outra ação da PF, mas conduzida pelo Rio Janeiro, o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na manhã desta quinta, no condomínio de luxo em que mora, em Goiânia (GO). Ele é um dos alvos da Operação Saqueador, que visa prender pessoas envolvidas em uma esquema de lavagem de R$ 370 milhões.

Também há mandados de prisão contra Adir Assad e Fernando Cavendish, que é dono da empresa Delta Construções.

Além de Goiás e Rio de Janeiro, a operação é realizada em São Paulo.

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