“Há coisas que não se contesta, executa”, disse Argello a executivo da Camargo Corrêa

Roger Pereira


Enviado pela cúpula da Camargo Corrêa a uma reunião convocada pelo ex-senador Gim Argello para tratar de um suposto pedido de propina para que os executivos da companhia não fossem convocados a depor na CPMI da Petrobras instaurada pelo Congresso Nacional em 2014, o gerente de relações institucionais da empreiteira à época, Gustavo da Costa Marques, afirmou, nesta quinta-feira, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro que, após informar ao senador que a empresa não teria interesse em aderir ao “grupo de apoio” ao então senador, que doaria R$ 5 milhões a sua campanha, foi grosseiramente cobrado pelo Senador.

“Em uma reunião muito rápida no gabinete dele, disse que a empresa tinha decidido por não pagar os R$ 5 milhões, mas queria saber o que ele tinha para dizer. Ele então me entregou um cartão com o telefone do sr. Valério (Neves Campos – ex-secretário-geral da Câmara dos Deputados, chefe de gabinete de Argello em 2014, e também réu no processo) e disse: ‘há coisas que não se contesta, executa’, encerrando a reunião”, relatou.

Marques contou que contou o corrido na reunião com Argello à diretoria da Camargo Corrêa que decidiu por não dar sequência a nenhuma conversa sobre o assunto, passando, assim, a ignorar ligações de Valério e, depois de Paulo Roxo (apontado como operador de Argello). O depoente citou que, após a recusa da Camargo Corrêa de pagar os R$ 5 milhões a Argello, houve requerimento para a convocação dos executivos na CPMI, mas que acabou não sendo aprovado, e citou, também, que, em uma sessão da comissão presidida por Argello, o senador indagou a testemunha (a ex-contadora do doleiro Alberto Youssef, Meire Poza) apenas sobre as relações de Youssef com a Camargo Corrêa.

Gustavo da Costa Marques depôs, nesta quinta-feira, como testemunha de acusação na ação penal em que Gim Argello é reu por corrupção, concussão, organização criminosa e lavagem de dinheiro, por, de acordo com a denúncia, ter cobrado propina de R$ 5 milhões de, pelo menos, cinco empreiteiras para blindá-las na CPMI da Petrobras.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal