‘Instituto Lula surgiu de uma conversa com Marisa’, diz Bumlai

Fernando Garcel


O juiz federal Sérgio Moro ouviu, na manhã desta terça-feira (9), o pecuarista José Carlos Bumlai e outras três testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público Federal (MPF). Nesse processo é investigado se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu como propina o terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula e um apartamento vizinho ao de ele onde morava, no ABC Paulista.

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Na audiência, Bumlai contou como conheceu o ex-presidente. No depoimento, o pecuarista disse que conheceu Lula durante a Copa do Mundo de 2002, entre maio e junho, por meio do então governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT. Bumlai afirmou que tinha amizade familiar com Lula. “Não o vejo há algum tempo, mas minha relação era de absoluta amizade familiar. Nunca tive negócios com ele”, destacou.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), para a força-tarefa da Lava Jato, o imóvel que seria construída a nova sede do Instituto Lula foi comprado pela Odebrecht em troca de contratos firmados com a Petrobras. Sobre a relação com Marcelo Odebrecht, o pecuarista disse que conheceu primeiro o pai, Emílio Odebrecht, e depois o herdeiro.

Sobre o Instituto Lula, o pecuarista afirmou que a ideia nasceu de uma conversa com a ex-primeira-dama Marisa Letícia EM 2010. “Eu não sabia como funcionava isso aí… a não ser aquilo que foi feito pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso. Constituía 10 empresários que participassem do processo que levantasse o Instituto Lula, onde guardaria os presentes e as coisas… Um museu que queriam levantar”, declarou.

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A antiga proprietária do apartamento vizinho ao de Lula, que foi vendido por R$ 504 mil será ouvida em Curitiba, a partir das 15 horas.

Bumlai

O pecuarista também foi arrolado como testemunha de defesa de Marcelo Odebrecht, o ex-presidente da empreiteira, que também é réu nesse processo. De acordo com o MPF, ele foi o primeiro interessado na compra do imóvel onde seria construída a nova sede do instituto.

Bumlai é acusado de ter atuado a favor de Lula. Ele já foi condenado por corrupção passiva e gestão fraudulenta a 9 anos e 10 meses de prisão. O pecuarista foi preso em novembro de 2015 e passou a cumprir pena em regime domiciliar em abril de 2016, devido a questões de saúde, após decisão do Supremo Tribunal Federal.

Denúncia

O Ministério Público Federal (MPF) acusa o ex-presidente de receber o terreno onde seria construída a nova sede do Instituto Lula como propina, além de um apartamento no ABC Paulista. Os imóveis teriam sido comprados pela Odebrecht em troca de contratos com a Petrobras, no valor total de R$ 12 milhões, até novembro de 2012, segundo os procuradores.

Lula responde por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Mais sete pessoas são rés nesse processo, entre eles o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto e o ex-presidente da OAS, José Aldemário Filho.

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