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JBS infla lista de supostos ataques à operação Lava Jato

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba A investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB) por supostamente aprov..

Narley Resende - 22 de maio de 2017, 08:05

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

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A investigação contra o presidente Michel Temer (PMDB) por supostamente aprovar a compra de silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e concordar com outros crimes do dono da JBS, Joesley Batista, é só uma entre várias que apuram tentativas políticas de impedir o avanço da Lava Jato.

Todo o comando da base aliada dos governos petistas tem contra si algo nesse sentido (veja abaixo): além de Temer, os ex-presidentes Lula, Dilma e Sarney e os senadores Renan Calheiros e Romero Jucá (PMDB), além de Cunha, são suspeitos de obstrução à Justi- ça. Todos negam.

O leque de acusações é variado: comprar silêncio de potenciais delatores, cooptar membros do Judiciário para soltar presos ou influenciar em processos, antecipar informações a investigados e intimidar testemunhas.

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“O que a gente percebe são reações de quem está sendo investigado”, avalia o procurador Rodrigo Chemim, doutor em Direito de Estado. Em abril, Chemim lançou o livro “Mãos Limpas e Lava Jato: a corrupção se olha no espelho”, que traça um paralelo entre a luta contra a impunidade na Itália, sufocada nos anos seguintes à famosa operação, da década de 1990, e a situação brasileira atual.

No caso de Temer e Joesley, Chemim avalia que a conduta do presidente pode caracterizar obstrução de Justiça e até corrupção. No discurso em que rejeitou renunciar, Temer afirmou: “Em nenhum momento autorizei que pagassem a quem quer que seja para ficar calado”.

Lula e o silêncio de Cerveró

Ex-presidente é réu em Brasília por tentar barrar a delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. O ex-senador Delcídio do Amaral diz ter tratado com o petista, no Instituto Lula, de incentivar o pecuarista José Bumlai a pagar à família de Cerveró para que ele desistisse do acordo.

Dilma e a soltura de Odebrecht

Delcídio disse que Dilma fez – através do ex-ministro José Eduardo Cardozo – três tentativas de soltar presos. Primeiro tentou cooptar os ministros Ricardo Lewandowski, do STF, e Newton Trisotto, então no STJ, sem sucesso. Por fim, diz Delcídio, ela conseguiu nomear Marcelo Navarro ao STJ. Navarro votou pela soltura de executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez, mas foi derrotado por 4 votos a 1 na 5ª Turma.

Jucá quis "estancar a sangria"

Os senadores Romero Jucá e Renan Calheiros e o ex-presidente José Sarney foram gravados por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro. Conversam sobre mudar a legislação para atrapalhar a Lava Jato, cooptar ministros do STF para anistiar envolvidos e influenciar o ex-ministro do Supremo Teori Zavascki para que não empurrasse ao juiz Sérgio Moro o caso de Machado, que não tem foro privilegiado.

O arsenal de Cunha

Um mês após o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ser cassado, em setembro de 2016, o juiz Sérgio Moro mandou prendê-lo por um conjunto de ameaças à Lava Jato: "intimidando testemunhas, advogados e autoridades" através de manobras na Câmara.

Dilma e os 'vazamentos' a Mônica Moura

A publicitária Mônica Moura disse que Dilma a avisava de avanços da Lava Jato, com medo que se descobrisse que a Odebrecht pagou serviços da campanha da petista em 2014. Através de dois e-mails secretos, Dilma avisou com antecedência a Mônica até a prisão dela, em 2016.

A suposta prevaricação de Temer

Áudio gravado mostra presidente concordando com narração de Joesley de que comprou um procurador e "deu uma segurada" em juízes, além do "tem que manter isso" diante da informação de que a JBS "estava bem" com Cunha.

Retrocessos legislativos

Procuradores do MPF (Ministério Público Federal) há meses declaram preocupação com projetos de lei que podem enfraquecer o combate à corrupção.

“Basta uma noite no Congresso Nacional e toda a operação pode cair por terra”, disse o procurador Carlos Fernando Lima em março, no aniversário de 3 anos da Lava Jato.

O MPF foi contra anistiar o caixa 2 (que não se concretizou), a ‘desfiguração’ das 10 medidas contra a corrupção e a lei de abuso de autoridade, que na avaliação do MPF foi “amenizada” em sua versão final.