João Cláudio Genu e mais três viram réus da Lava Jato

Fernando Garcel


O juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato em primeira instância, acatou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-tesoureiro do Partido Progressista, João Cláudio Genu, e outros envolvidos no esquema de corrupção da Petrobrás nesta terça-feira (28).

Detido na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba, desde a deflagração da 29ª fase da operação, batizada de “Repescagem”, o ex-tesoureiro deve responder por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e pertinência à organização criminosa. Segundo a denúncia do MPF, Genu é suspeito de ter recebido e ajudado a distribuir valores em espécie do esquema de corrupção da Petrobras. De acordo com declarações de delatores da Lava Jato, o PP foi o responsável pela nomeação de Paulo Roberto Costa ao cargo de Diretor de Abastecimento da Petrobrás e em contrapartida o ex-dirigente apoiava financeiramente o partido.

Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal
Foto: Rodolfo Buhrer / Paraná Portal

> Ex-tesoureiro do PP, João Cláudio Genu, é indiciado na Lava Jato

Em documento, a PF informou que duas grandes empreiteiras, a OAS e a Camargo Correa, também investigadas pela Lava Jato, obtinham mediante cartel e ajuste fraudulento de licitações grandes contratos junto à Petrobrás.

Do total de recursos obtidos nos acordos, 1% era destinado à Diretoria de Abastecimento da estatal, sendo que 60% do valor era repassado a agentes políticos, entre eles parlamentares federais, do Partido Progressista. A Polícia Federal diz ter encontrado a entrada de R$ 7 milhões sem identificação de origem em empresas de Genu. Além disso, pelo menos R$ 2 milhões teriam sido propina paga em espécie a Genu, entre 2005 e 2013.

No despacho, o juiz Sergio Moro rejeitou a denúncia contra a esposa do ex-tesoureiro, Cláudia Genu. Ela teria comprado mais de R$ 120 mil em jóias com dinheiro proveniente do esquema de corrupção da Petrobras. De acordo com o juiz, o MPF não apresentou provas suficientes e que “os fatos das jóias serem adquiridas com valores em espécie e não terem sido declaradas nas declarações de rendimentos não são elementos probatórios suficientes para se concluir pelo agir doloso”, diz Moro.

O juiz também rejeitou a denúncia contra o policial federal afastado Jayme Alves de Oliveira Filho. De acordo com Moro, o agente já foi condenado pelos mesmos crimes em outra ação penal e, por isso, não cabe novo processo contra ele. “Ele condenado pelo crime de lavagem de dinheiro e de pertinência à organização criminosa. […] A imputação naquele caso, da forma como formulada, abrangendo todas as entregas em espécie por ele realizadas, envolve a presente”, diz o juiz.

Outros denunciados

Além de João Cláudio Genu, também tornam-se réus da Operação Lava Jato o sócio do tesoureiro, Lucas Amorim Alves, e os funcionário de Alberto Youssef, Rafael Ângulo Lopes e Carlos Alexandre de Souza Rocha, conhecido como “Ceará”. Todos eles vão responder por corrupção passiva.

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